04/10/2009

versão para carlos

O poeta Carlos Augusto Lima gosta de jogar e é pelo jogo que convida

ao poema

ao livro

ao pensamento.

f

Há mais ou menos 2 anos, ele enviou a alguns amigos um poema,

dedicando-lhes uma versão,

c

para érica zíngano

o

eu sou o acrobata do banco de trás

e só você me vê. vou cravar as

duas mãos no vidro e me contorcer

amarrado a este cinto que me livra

do mal, toda sorte ruim, acaso,

quebranto e freadas bruscas. estes

os minutos finais do grande espetá-

culo, até você ir embora, arrancando

com vagar o seu rosto triste, miúdo

como se quisesse chegar a algum lugar.

aonde deve ir. os acendedores do fogão

pifaram e estamos sem fósforo. não

tomaremos calmantes naturais, mas ex-

plodiremos com discreta naturalidade.

vou deixar os vidros abertos na esperança

de oxigenar o mundo e para que alguém

me corte os pés e o estofamento novo.

eu sou o acrobata do banco de trás

e você não me vê. o mesmo ar que

respiro não é o seu, pois estamos

separados. entre um passo e outro, uma

espera na fila do caixa eletrônico

com seus enigmas, senhas alfa-numéricas,

nossa esfinge possível, um abismo.

um abismo. diga comigo: um abismo.

a

Respondi ao email com um poema, porque acrobata conversa com trapezista,

na esquina, a trapezista:

seu  peso, suporte de um corpo limítrofe, abre uma linha

tênue  contra a gravidade e o

chão

a

em suspenso – manter-se em

equilíbrio nada mais é do que

uma concentração

a

o fio, filete de calçada, paralelepípedo ou

beira de uma esquina qualquer

a

de um cruzamento de

braços agitam-se no ar

a

inevitável, a queda:

a

a água empoçada da chuva de ontem

de noite não serve para amparar

a

seu corpo

(gordo

- ainda insisto em não querer cair

a

Depois dos emails enviados, Carlos reuniu todos os poemas acrobáticos no livro

Manual de Acrobacias nº1,

pressupondo um pensamento em série,

onde cada poema guarda um segredo: sua diferença em relação ao outro.

f

Agora, ele inventou um blog e convidou os amigos para intervir no poema,

elaborando um outro poema,

“Este poema era meu. Agora não é mais”,

chama a nova série, nela,

o poema, sempre uma possibilidade,

se desdobra pelo olhar vário dos outros.

d

Não resisti e mandei uma versão,

z

versão para carlos

s

eu sou o acrobata do banco de trás

e você não me vê, queria enfumaçar os

vidros com a boca e distender o cinto

apertado às mãos, por equívoco,

como se assim pudesse dizer

das coisas trocadas sem explicação

à véspera do fim, naquele último espetáculo,

enquanto você permanecia, mesmo calada,

como eu, sem saber se iria chegar a algum lugar,

lembro das bocas do fogão sem funcionar e da inutilidade

dos fósforos já riscados, não, não faríamos mais o uso dos discretos

remédios homeopáticos, trocaríamos apenas as caixas,

disfarçando qualquer instinto de intencionalidade.

gostaria de poder me aproximar do vidro, para que você

me visse, eu sou o acrobata do banco de trás, mas não,

você não me vê mais, sem ar, desaparecendo,

sufocando por dentro, você continua sem saber,

na espera na fila do caixa, nenhum mistério além do

abismo, repetiria comigo, o abismo

a

Comentando a versão, Carlos diz: “Érica Zíngano (http://projetoeu09.blogspot.com) nasceu em Fortaleza, mas já vive a um tempo em São Paulo. Desenvolve alguns trabalhos entre a escrita e as artes visuais, mas esse lugar de precisão já não importa mais. Érica ganhou um dos poemas presentes no “manual de acrobacias n.1”. Agora ela me envia sua versão. Sinceramente, não sei onde isso tudo pode parar. Mas, no momento, isso não importa”. No blog, e também aqui, todas as versões enviadas podem ser lidas.


17/08/2009

projeto EU

24/07/2009

dinossauros / @nfíbios

funa2

Sejam bem-vindos ao reino animal, onde o devir-bicho corre solto, sem amarras: http://dinosanfibios.ning.com/

Pelas mãos da ana, essa insígnia se arma como um encontro virtual de poesia. Uma conversa fársica comigo, com a Andréa Catropa e com o Renan Nuernberger sobre novas fronteiras do poético aconteceu no chat a partir disso!

Ah, a imagem acima é do eduardo verderame, um outro amigo que gosta muito de dinossauros!

23/07/2009

vídeo-rascunho para eu/paisagem

24/06/2009

Revista Desassossego, “des-a-só-sem-ego?”

nome vermelho

http://www.fflch.usp.br/dlcv/revistas/desassossego/

Revista eletrônica dos alunos de Pós-Graduação do Programa de Literatura Portuguesa do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Universidade de São Paulo:

A Revista, “simples” em sua primeira edição, nasce cheia de sonhos, consciente de que somente aos poucos os maiores podem ser erigidos. Participando do projeto editorial, rascunhei uma apresentação geral da revista e entrevistei o Prof. Dr. Pedro Eiras, da Universidade do Porto, por ocasião do lançamento de seu livro-peça, Um forte cheiro a Maçã, pela Ed. Oficina Raquel no Rio de Janeiro.

04/04/2009

- se eu sou um babuíno, quem é você?

eu-e-babuino

Em tempos de ano da França no Brasil e como a Brigitte Bardot está ficando velha, a Sociedade Anónima dos Amigos dos Animais (SAAA) em parceria com a Fondation Brigitte Bardot tomou para si a empreitada trans-amazônica de fazê-lo refletir sobre seu eu-animal-anímico-interior, como um retrato d’alma fidedigno das suas pulsões animalescas (sic, carnavalescas) mais secretas. Para descobrir que animal o habita em seu íntimo, faça o teste do espelho: 7 seg em frente à sua verdadeira imagem e seu animal interior se revelará por inteiro! Em seguida, envie para nós sua imagem-animal para fazer parte desse arquivo digital empreendedor! Agradecemos desde já sua contribuição voluntária em participar desse projeto sem fins lucrativos,

afinal um animal nunca é uma causa perdida!

érica zíngano,
sócia-presidente para casos extraordinários da Sociedade Anónima dos Amigos dos Animais (SAAA)
e

“Chegará o dia em que os homens conhecerão o íntimo dos animais e nesse dia, um crime contra um animal será considerado um crime contra a Humanidade.”
Leonardo Da Vinci

poissonlyre ífumeta ezbocaescargot22

tylertiger llamaguerra

unicórniocabelopelo

coruja22 morcegao

yuricoral 2pinguimguaxinin copy

coala2

Para participar é só enviar  2 fotos (a sua e a do seu eu-animal) para o email ericazingano @ gmail.com


26/03/2009

XXI poetas de hoje em dia(nte)


capa_divulgacao

O PROJETO:

Em 2007, Priscila Lopes e a Aline Gallina criaram o blog Cinco Espinhos e nele inseriram um espaço intitulado Garimpo Semanal e, a partir dessa experiência,  resolveram  organizar a coletânea XXI POETAS DE HOJE EM DIA(NTE). Por meio da internet conheceram diversos poemas – para não declarar escancaradamente “poetas” – e resolveram pensar um livro: um livro que um dia foi apenas uma idéia e que hoje já está na gráfica – o projeto recebeu o apoio da Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte de Santa Catarina. Elas sabem que não há apenas 21 poetas e sabem também que não há só poesia na internet. A coletânea é um convite ao público para acessar nossos espaços virtuais e integrá-los. Maiores informações no BLOG do projeto.

21 poetas:

Wilson Guanais

Wilson Gorj

Rubens da Cunha

Ronaldo Werneck

Paulo Aquarone

Marcelo Sahea

Marcelo Montenegro

João de Moraes Filho

Júlia Studart

Julia Almeida Alquéres

Izabela Leal

Cynthia Lopes

Estrela Ruiz Leminski

Mônica de Aquino

Victor Paes

Caio Cezar Mayer

Victor da Rosa

Karinna Gulias

Érica Zíngano

Aline e Priscila

LANÇAMENTOS:

18/04/09: Florianópolis

Barca dos Livros
Rua Senador Ivo d’Aquino, 103
Lagoa da Conceição
Fone: (48) 3879-3208

fotos_pgs_151

23/05/09: São Paulo

Bar do Batata
23 de maio às 19h30
Endereço:
Rua Bela Cintra, 1333, Jardins
Fone: (11) 3068-9852

bardo-39-low

03/02/2009

o começo do fim do mundo, uma conversa em tradução com Bataille

- Você está vendo este livro?

Os dicionários começaram na tentativa de copiar do mundo sua imensidão. Isto é, sua impossibilidade. Como nem tudo cabia ali, dentro, e o livro ia, decerto, ficando muito grande e pesado, os homens que resolveram inventar o dicionário contentaram-se apenas em copiar dele, do mundo, o que dele se podia dizer. Por isso as palavras e, por conseguinte, seus conceitos, numa forma “justa” de organização, logo o alfabético: uma forma de dizer, outra vez, repetido mundo. Como sempre os começos, cheios de fôlegos, é preciso fôlego, pensavam – os dicionários, em seus princípios, aparecem sempre cheios de fôlegos. Uma olhada rápida, nada minuciosa, é suficiente para constatar que as primeiras letras, em relação às últimas, são sempre mais numerosas, onde o fôlego era, por constatação lógica, maior. No entanto, ao final da empreitada, o cansaço era tanto, tanto do peso como do mundo, que os homens que inventaram os dicionários – porque um só já não ia suficiente – começaram por desistir de coletar e agrupar e organizar todas as letras as palavras os conceitos, ficando mesmo vários conceitos e palavras e letras de fora do livro. Era preciso pôr fim à gigantesca tarefa, seu término tornou-se, portanto, uma arbitrariedade: paremos aqui, decidiram, e estes termos que foram ficando de fora, porque não copiados, começaram a desaparecer e a apagar do mundo o que dele não mais podia existir. Chegará um tempo, de pleno cansaço dos homens das cópias do mundo, em que o mundo não mais existirá, porque de tão cansados de transcrever as letras as palavras os conceitos só restará o gesto de apagar dele o que dele não se pode copiar.

(porque eu, o Eduardo Jorge e a Marcela Vieira estamos conversando em tradução com o Bataille:

http://www.cultura.mg.gov.br/arquivos/SuplementoLiterario/File/sl-janeiro-2009.pdf

30/10/2008

desenho de eduardo verderame

30/10/2008

lista genérica para possíveis auto-retratos:

1. estratosférica

2. atmosférica

3. climatérica

4. periférica

5. esférica

6. ibérica

7. américa

8. homérica

9. feérica

10. colérica

11. histérica

12. lotérica

13. esotérica

14. exotérica

15. (alfa)numérica

16. quimérica

17. cadavérica

18. etérica

19. sérica ou cérica

20. filoxérica

21. diptérica

22. antérica

30/10/2008

auto-retrato em rgb

28/10/2008

Da mancha à partida: corpus sucessivos de leituras e escrita

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Nesta última edição da Revista  Zunái, escrevi uma resenha sobre o terceiro livro de Danilo Bueno, Corpo sucessivo. Para ver e ler, clique aqui! Informações sobre o livro no site da oficina raquel!

E  tem também muitas outras coisas bacanas:

- Uma poética onde a inventividade esteja sempre presente: entrevista com o poeta português Fernando Aguiar;

- As duas faces do branco, ensaio de Victor da Rosa sobre Joan Brossa;

- Antonin Artaud e o surrealismo: distâncias e aproximações: ensaio de Francine Jallageas;

- Traduções de Velimir Khlébnikov, André Breton, Paul Éluard, Pierre Reverdy, Serge Pey, Charles Baudelaire, Andrei Codrescu;

- Seis poetas do Equador: mostra poética organizada por Luís Carlos Mussó;

- Como está a poesia brasileira hoje?: debate com Claudio Daniel, Sérgio Medeiros, Linaldo Guedes, Tavinho Paes, Tanussi Cardoso;

- Das artes da língua, conto de Omar Khouri;

- Daqui, conto de Luci Collin;

- Cartas de Luanda, por Abreu Paxe;

- Performance: a poesia visual de Vinícius Lima;

- Galeria: exposição virtual de Maikel da Maia;

Zunái, revista de poesia e debates, NOVO ENDEREÇO: http://www.revistazunai.com/

Onde encontrar: no ciberespaço, essa Gran Cualquierparte.

Preço: inefável; inconcebível.

27/10/2008

para observar a paisagem 1 e 2

 

a partir de fotos do  Leonardo Zingano Netto

13/10/2008

SIMPOESIA

(I simpósio de poesia contemporânea)

Organizado pela Universidade de São Paulo (USP) e pela Casa das Rosas (Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura), o I Simpósio de Poesia Contemporânea (Simpoesia 2008) acontecerá entre os dias 14 e 18 de outubro de 2008.

O evento contará com a presença de 50 poetas brasileiros, de diferentes regiões do país, incluindo autores já reconhecidos, como Claudia Roquette-Pinto, Roberto Piva, Glauco Mattoso e Frederico Barbosa, e também poetas jovens. Recitais poéticos, performances, palestras e debates acontecerão na USP, na Casa das Rosas, no Museu da Língua Portuguesa e na Academia Internacional de Cinema, dentro da programação do evento. Haverá também shows musicais, apresentações de videopoesia e de poesia visual. Todas as atividades serão gratuitas para o público.

Todas as informações, no site do evento.

28/07/2008

FLIP vai, FLAP! vem…

 

Com o mote “Zona Franca – Viva la Conexión”, a quarta edição da FLAP! acontece em São Paulo entre os dias 1º e 8 de agosto, flertando com outras artes e apostando na integração latino-americana através da poesia e, por que não, pela internet. Por antecedência, a festa literária já começou de certa forma, já que pelo blog do evento são agendados encontros abertos ao vivo pelo sistema Ustream.tv.

Enquanto as edições anteriores tinham como base a Praça Roosevelt, no centro da cidade, a “festa”, na versão “2.0″, se desdobra com a presença em massa de escritores de diversos países da América Latina e se descentraliza por todas regiões de São Paulo em vinte locais de debates e leituras. Dentre eles, pontos tradicionais da poesia contemporânea, como a Casa das Rosas, a Biblioteca Temática de Poesia Alceu Amoroso Lima; mas também a Faculdade de Letras da USP, a PUC, o Paço Cultural Julio Guerra (Casa Amarela), bares e livrarias. Sem esquecer as origens, haverá também debates no Teatro Satyros I e outros pontos da Roosevelt.

Na programação, que inclui debates sobre música (“Zona Franca v: o rap atura a literatura (e vice-versa)”, se destaca a presença em massa de latinos, com mais de vinte escritores (Alan Mills, da Guatemala; Héctor Hernández Montesinos, do Chile; Virginia Fuente, da Argentina; Ernesto Carrión, do Equador; Rodrigo Flores, do México, dentre outros), além dos convidados brasileiros, alguns deles já presentes em outros anos.

Na noite de abertura, dia 1º na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, será lançada a edição número 9 do jornal de literatura contemporânea O Casulo, com poemas de Alckmar Santos, Érica Zíngano, Greta Benitez, ilustrações de Rogério Barbosa e entrevista com o poeta e editor Joan Navarro.

Confira a programação da FLAP aqui!

Elisa Andrade Buzzo
21/7/2008 às 13h45

Para ver os poemas publicados, clique aqui: poemas-casulo1

26/07/2008

Poema sem livro

MANOEL RICARDO DE LIMA
    

Uma das artimanhas que acho das mais interessantes com o poema é a do poeta sem livro, até porque, imagino, todo poema não passa de uma artimanha, uma trapaça, uma forma de vida entre a linha tensa e o risco. E a ausência do livro, mas não do poema (porque sempre há o poema, mesmo onde ele parece não haver), arma uma questão entre o poema e o lugar e um sem-fim de variações disso. Gosto da idéia do poema solto, sem prêmio ou concurso, que corre o sentido para o que é vago, o poema que não se oficializa, que não mata a sua própria fome. E uma das impertinências desta página é dar a ver o que um cego não pode tocar, como uma cilada. Este passo rápido inventa uma possibilidade por duas poetas sem livro: Érica Zíngano e Nicola Gonzaga.

 

A primeira, Érica, nasceu em Fortaleza, no Ceará, em 1980, e hoje vive em São Paulo, que chama de “cidade de ninguém e de todo mundo”. Faz mestrado em Literatura Portuguesa na USP, onde se debruça sobre o trabalho de Maria Gabriela Llansol. Em 2005, fez parte de uma série de plaquetas lançadas pelo Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, do Ceará, com vários autores, intitulada drobapura: a arte da meditação. Esta série de plaquetas monta uma conversa entre um artista visual e um poeta, mas, como Érica impõe seu trabalho nesta zona cruzada, sua plaqueta se fez sozinha, desfazendo e refazendo a zona. Tem, também, um outro poema desdobrado, noite, dias brancos, publicado na revista Zunái, na internet.

 

A segunda, Nicola, nasceu em 1987, em Florianópolis, onde mora ou ainda mora. É estudante do curso de Letras-Português na UFSC, leitora movida a Clarice Lispector, diz ela. Com resvalos sinceros entre CaioFernando Abreu (que acho é ou tem sido a pauta de uma leva de jovens leitores, como formação e gozo), passeando de Charles Bukowski ou Kafka numa espécie de tentativa deliberada para encontrar uma palavra livre ou um desenho possível do mundo que possa romper com toda ou alguma burocracia para roçar, que seja, um sentido ausente.

 

Não há nenhuma relação possível entre estes trabalhos de Érica Zíngano e de Nicola Gonzaga, apenas e talvez em algo muito próximo do que pode ser um esforço (como sugere Joaquim Cardozo: o esforço como aquilo que pode perturbar o real numa “forma formante” ou numa “forja da destruição”, num “ponto furo da imagem”).

 

Érica desenvolveu uns trabalhos com a artista visual francesa Sofi Hemon para a exposição hier m’abandonne, pourquoi le retenir? (um verso de Li Po) no Centre Médical de Mulhouse, França, em 2006. Alguns desses trabalhos e outros podem ser vistos nos links 1000 e 1 notas  e eu coleciono histórias de amor. O trabalho que aparece na fotografia de Érica é intitulado Pensée-blanche, e passa um pouco por suas anotações de caderno (seus poemas são um pouco isso, anotações de caderno), um gesto em branco que uma piscadela com o mundo aberto pode compor.

 

Nicola, ainda tateando o poema, cumpre sua escritura no prisma do que ela chama de um outro uso da palavra, algo para “desenformar” o pensamento e qualquer idéia de lugar certo, lugar que parece vir num certo tom para baixo, num certo olhar para o chão, onde o cotidiano respira errado e solicita um pouco de ar em cada verso quase brando, um tanto doce um tanto rude. Os poemas que seguem são apenas uma mostra destes trabalhos que prosseguem sem livro, e raspam uma das idéias deste objeto-experiência: mover o quase nada e o quase muito daquilo que não, daquilo que sim; mover outra vez aquilo que já se move sozinho.

 PROFESSOR DE LITERATURA, POETA, AUTOR DE 55 COMEÇOS (EDITORA DA CASA), ENTRE OUTROS

Para ver os poemas, clique aqui!

 

03/07/2008

eu coleciono histórias de amor

minha mala de memórias:

minha coleção de histórias:

 

para saber mais: http://eucolecionohistoriasdeamor.blogspot.com

22/05/2008

às mil e uma voltas

as mil e uma voltas ez 2007

Se há na vida pontos de parada e de reflexão, com certeza o ano de 2007 foi assim, um ano de maturação e introspecções, um ano ímpar em todos os sentidos. Costumo dizer que, às vezes, vivemos tempos de ostra, para lembrar ostracismo, mas também para trazer a idéia da pérola, de algo precioso que se produz internamente.

21/05/2008

enFarte

enfArte 2001

Acho que, quando somos muito jovens, temos idéias meio absurdas sobre o mundo… Em 2001, em Fortaleza, eu e outras pessoas fazíamos parte do grupo de estudos de artes visuais do Alpendre, coordenado pelo artista Eduardo Frota. O Alpendre, um projeto coletivo, na época encabeçado por pessoas muito legais, como o Solon Ribeiro, Manoel Ricardo e Alexandre Veras; que mudou o cenário cultural de Fortaleza, além disso ter sido muito bacana para a vida artística da cidade, reuniu muitas pessoas jovens que hoje estão aí pelo mundo,  tocando seus trabalhos, quem sabe com maior seriedade do que naquele tempo…

 

 

Bem, mas naquele tempo, nós não pretendíamos a seriedade… Então, junto com a Waléria Américo e a Mariana Smith, também integrando outras pessoas depois, como a Tarsila Furtado, decidimos sair fazendo arte na cidade. Para tal empreitada, chegamos até a fazer umas pinturas nos muros de Fortaleza… Mas o mais legal foi termos comprado uma jaula de circo. Infelizmente, não tenho nenhuma foto da nossa jaula, mas me lembro com muito carinho dela e de todos os sonhos que ela nos fez ter!  Compramos esta jaula, que podia ser engatada em qualquer carro 4×4 – só que nós não tínhamos um carro 4×4! –, num ferro velho, por uma pechincha. Pedimos o carro do nosso amigo Beto emprestado e fomos levando a jaula até a minha casa. Como não tínhamos onde estacioná-la, a deixamos na rua, até resolver a questão do carro, porque não tínhamos nenhum dinheiro para comprar um.

 

 

Depois de 2 semanas, alguém muito mal e feio roubou todos os nossos sonhos jaulescos e não pudemos sair pelo mundo afora fazendo arte mambembe! Até hoje tenho vontade de perguntar para os vizinhos: – Vocês, por acaso, não viram uma jaula perdida, que foi roubada aqui na rua?. O enFarte acabou nunca acontecendo de fato,  mas a história da jaula já vale como uma boa história.

21/05/2008

- como habitar as cidades em passagens?

 

 

- como habitar as cidades em passagens? erica zingano sofi hemon praga 2006

Após a exposição “hier m’abandonne, pourquoi le retenir?”Li Po, segui em viagem… e fiquei pensando então nesta pergunta: porque passaria por Praga para encontrar um amigo de outras viagens, o Tyler Noble, e já que a Sofi possui uma relação íntima com a cidade, pedi para ela para me dar algumas indicações de percursos lá. Essa pergunta também surgiu para pensar, e tentar ver, a cidade através dos olhos dos outros… Habitar pelo outro, seu imaginário…

 

 

From: sofi hémon

To: erica

Date: Fri, Apr 28, 2006 at 5:21 PM

Subject: a prag

 

_A prag,

_Em praga,

 

_prendre  la ligne de tram 22 du côté de Karlova namesti, jusqu’au terminus, trouver un lieu ou boire un café au retour descendre au Belveder: le palais d’été, s’assoir dans l’herbe

_pegue a linha de trem 22 do lado de Karlova namesti, até o término, encontrar um lugar onde beber um café no retorno descer no Belveder: o palácio de verão, se sentar na grama

 

_ prendre la ligne de tram 22  descendre au Monastère de Brevnov, aller à droite c’est un lieu silencieux il y a des très grands arbres rouges, sous le feuillage la vie est differente, couche toi sous l’arbre, que vois Tu?

_ pegue a linha de trem 22 descer no Monastério de Brevnov, ir à direita é um lugar silencioso há grandes árvores vermelhas, sobre a folhagem a vida é diferente, deite-se na grama, o que Tu vês?

 

_prendre le tram ligne 12 aller au terminus si il fait beau prendre le 120 terminus , (retour ou pas), ca va jusqu’a Barandov (studio) trouver un lieu ou boire une bière, peut être auras tu soif?

_pegue o trem linha 12 ir ao término se faz sol tome o 120 término (retorno ou não), vai até Barandov (studio) encontrar um lugar onde beber uma cerveja, talvez tu terás sede? 

 

 - como habitar as cidades em passagens? erica zingano sofi hemon praga 2006

 

- como habitar as cidades em passagens? erica zingano sofi hemon praga 2006

 

- como habitar as cidades em passagens? erica zingano sofi hemon praga 2006

21/05/2008

caminhos/ portais

Este era pra ser um trabalho feito em parceria com o Eduardo Verderame, mas faz parte dos projetos não realizados… A idéia era projetar essas imagens de portais (fotos que ele tirou em viagens) e criar textos sobre caminhos, entradas, pasagens, que seriam veiculados em áudio…


eduardo verderame portais 2004

eduardo verderame portais 2004

eduardo verderame portais 2004

21/05/2008

estudos para o corpo

Fotos para pensar o corpo, suas dobras, seus vincos e potências. Não cheguei a fazer absolutamente nada com essas imagens, mas acho que começo a trabalhar essa obsessão na poesia, com o que chamo de “obscenações” e o desejo azul, como lâmina, um corte. Foi engraçado que depois encontrei um poema do Camões que fala sobre isso!

 

estudos para o corpo erica zingano koln alemanha 2006

 

estudos para o corpo erica zingano koln alemanha 2006

 

estudos para o corpo erica zingano koln alemanha 2006

 

estudos para o corpo erica zingano koln alemanha 2006

 

estudos para o corpo erica zingano koln alemanha 2006

18/05/2008

stencil/ balões de pensamento

Estudos para stencil/ balões de pensamentos, obrigada a Mary, que serviu como cobaia, fazendo cara de paisagem para a foto ficar mais bonita!

baloes de pensamento ez sp 2006

17/05/2008

Tudo o que está próximo se distancia

convite de um lugar_______a outro mac-ce 2006

(convite/adesivo da exposição desenvolvido pela designer Alice Macedo)

 

A exposição de um lugar ______ a outro surgiu, primeiramente, como um projeto. A idéia, pensada por mim e por mais quatro amigas, também artistas, Beatriz Pontes, Mariana Smith, Milena Travassos Waléria Américo, era de pensar a arte como possibilidade de instaurar outras temporalidades, abrir espaços e percepções para outras experiências que o nosso tempo contemporâneo não nos permite vivenciar.

 

 A realização da exposição só foi possível através do 2° Edital de Incentivo às Artes, promovido pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará (SECULT), que premiou o projeto, viabilizando sua feitura. Além disso, a parceria com o Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC-CE), no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, na época sob a direção do curador Ricardo Resende, foi fundamental, pois nos deu total liberdade de ação e concepção de uma outra museografia.  Também o contato com a designer Alice Macedo, e com os críticos Carolina Soares e Enrico Rocha, foi importante na medida em que possibilitou trocas de olhares e diálogos possíveis na realização da exposição.

 

 

 “Que futuro estará reservado à imaginação individual nessa que se convencionou chamar a ‘civilização da imagem’? (…) Hoje somos bombardeados por uma tal quantidade de imagens a ponto de não podermos distinguir a experiência direta daquilo  que vimos há poucos segundos na televisão.  Em nossa memória se depositam, por estratos sucessivos, mil estilhaços de imagens, semelhantes a um depósito de lixo, onde cada vez é menos provável que uma delas adquira relevo.  Se incluí a Visibilidade em minha lista de valores a preservar foi para advertir que estamos correndo o perigo de perder uma faculdade humana fundamental: a capacidade de pôr em foco visões de olhos fechados, de fazer brotar cores e formas de um alinhamento de caracteres alfabéticos negros sobre uma página branca, de pensar por imagens.”  (CALVINO, Ítalo. Seis propostas para o próximo milênio. SP: Cia. das letras, 2000.)

 

 

Se, em suas Seis propostas para o próximo milênio, Calvino já nos adverte sobre a quantidade de imagens produzidas nos nossos dias, é para nos fazer refletir sobre essa faculdade fundamental do olhar, a visão. Dessa forma, esta exposição se propõe a problematizar o ato de ver e suas implicações.  Por essa dificuldade de perceber as sutilezas que nos rodeiam e de experienciar as delicadezas do cotidiano, propomos uma exposição de artes visuais, pois ainda acreditamos que a arte e as questões que ela levanta sejam uma das únicas brechas por onde podemos transpassar para perceber e desenvolver uma postura crítica sobre o mundo que nos rodeia, e assim desautomatizar o nosso olhar. O olhar que capte informações deixadas em um piso, em uma quina de parede, em uma imagem que se desfaz, em um corpo.  

 

Dessa forma, o branco, o espaço vazio e o silêncio, por entre fissuras do cotidiano, como brechas temporais, são, na proposição dessa exposição, os fios que unem e perpassam os nossos trabalhos. A articulação desses conceitos significa redimensioná-los no tempo atual, neste tempo que não permite mais ver, mais distinguir ou mesmo entender ou que se vê, instaurando assim um outro tempo contemplativo e experiencial para o espectador, tentando estabelecer nesta divergência um outro olhar, ou mesmo uma outra vivência, possíveis para a obra de arte na contemporaneidade, uma tentativa de ainda poder dedicar um ínfimo de atenção às pequenas coisas.

 

Um olhar que privilegia o branco, estabelecendo um diálogo com a História Arte quando pensamos em Kazimir Malévitch e em seu “Quadrado branco sobre fundo branco”, numa redução quase total da obra de arte ao conceito. Aqui o branco, potência de uma cor que aglutina todas as outras, se configura como uma possibilidade de contraposição aos excessos visuais a que estamos imersos hoje, apontando para uma redução ao essencial, não por isso vazia de significado.  Uma pausa, apenas.  

 

A incorporação do espaço vazio como elemento significativo, para além de apontar uma ausência, visa potencializá-lo em sua amplitude, reverberando na vastidão do espaço arquitetônico as minúcias desapercebidas por um olhar saturado, incapaz de apreender a delicadeza. E criar, neste outro espaço, do vasto, do ilimitado, um tempo que permita ao olhar ir e vir, infinitamente.

 

O silêncio, em suas múltiplas variantes, ausência de fala, ruído ou rumor, não absoluto porque impossível, como John Cage constatou, e sim um estado reflexivo, que se deixa escutar; se faz necessário para este outro estado da experiência artística. Um intervalo, seja de falas, pensamentos ou ações, que não necessariamente se interrompem internamente, mas que se impõem para exigir um outro ritmo de percepção.

 

A apreensão desses conceitos, que neste projeto não são vistos como categorias estanques, se faz em um tempo anterior ao branco, vazio ou silêncio absolutos; no limiar, no entre, no limite do visível e do invisível da percepção. Nesta interseção do que ainda pode ser visível e do que não, a imagem se dilui, o que prevalece da precisão de um instante fotográfico é a imprecisão de uma imagem que não se deixa fixar. O que a imagem propõe ao olhar do espectador é a possibilidade de enxergá-la com olhos míopes, turvos; um olhar incapaz de precisar uma única imagem, desfazendo dessa forma uma relação objetiva com a imagem, e que passe a percebê-la como uma multiplicidade de significações.

 

A translucidez dos materiais também proporciona percepções outras, pois reorienta a luminosidade do espaço expositivo. Luz, sombra e cores deslocam espacialmente o espectador, proporcionando uma percepção flutuante deste espaço em constante transformação, já que ao longo do dia esses elementos se alteram continuamente, marcando a passagem do tempo. 

 

Assim como a imagem, no limite do que se pode ver e do que não, a linguagem se transforma para fazer pensar sobre o que ainda pode significar.  Entre o alfabeto Braille, que é lido pelo toque, na fricção dos dedos contra o papel preenchido por pontos/letras em relevo; e o nosso, que é lido pela vista, na decodificação de caracteres articulados, a linguagem se configura entre essas duas possibilidades como um silêncio.Nem um, nem outro, um entre significações.

 

 tudo o que esta proximo se distancia erica zingano mac-ce 2006

 

tudo o que esta proximo se distancia erica zingano mac-ce 2006
       

“É verdade que, no crepúsculo, tudo o que está próximo se torna distante; as coisas que nos rodeiam vão se afastando de nossos olhos, assim como o mundo visível se afastou de meus olhos, talvez para sempre. Goethe se referia ao crepúsculo, mas também à vida: aos poucos, as coisas vão nos abandonando. A velhice poderia ser a suprema solidão, mas fosse a morte uma solidão muito maior. Essa proximidade que se torna distante pode significar também o lento processo da cegueira – a respeito do qual procurei lhes falar hoje à noite, para mostrar que ela não é a infelicidade maior. Indiscutivelmente, a cegueira está entre os muitos e tão estranhos instrumentos com que o destino ou o acaso nos brinda.”   7 noites/ cap. 7/ A Cegueira/ JLB

 

 

Alles Nahe werde fern, tudo o que está próximo se distancia, é uma frase de Goethe que foi lida em Borges. A partir da leitura feita, como em qualquer leitura que se quer leitura, vários questionamentos entrecruzaram-se: o próximo e o distante, idéias paradoxais apresentadas por Goethe e retomadas em Borges, eram pressupostos com os quais eu gostaria de trabalhar na exposição de um lugar ________a outro. Dentre outros desejos, a cegueira, tanto a real, fisiológica, quanto a metafórica, aquela que alude à nossa dificuldade de ver/perceber, de ler nas entrelinhas, de distinguir os discursos ideológicos contidos em atos de fala quaisquer, também me era fundamental.  

 

linguagem, tema central de minhas pesquisas e trabalhos plásticos/literários, é abordada mais uma vez nesta instalação através do Braille que, por remeter à cegueira, à dificuldade/impossibilidade de ver, surge então como interseção destes questionamentos iniciais quando retraduzo a frase de Goethe para este sistema de signos/pontos. No entanto, para trabalhar as distâncias e as aproximações sugeridas pela frase, escolhi escrevê-la com outro material que não o papel, transpondo os pontos/letras deste alfabeto para o vidro, numa inversão/rearticulação de sentidos, já que o era para ser lido com o tato passa a ser lido, ou não, pela vista, com o percorrer de um olhar.

 

 O vidro, dentre todos os materiais possíveis que foram pensados durante o processo de criação do trabalho, pareceu-me o mais adequado, tanto por sua transparência intrínseca, que o olhar atravessa quando se põe a ver, tanto por ser sutilmente reflexivo, já que quem o olha se vê, num voltar-se a si reflexível: refletir-se ao ver, refletir sobre o ver, dubiamente. Não à toa as peças estão posicionadas na altura do olhar. 

 

Os pontos/letras deste alfabeto, numa trajetória de pensamento, somam-se a outros pontos meus, anteriores: ponto/plano (2003) e entregando os pontos (2004) – trabalhos que discutem esta forma essencial do desenho, seja em instalação ou performance. Configurando-se como uma atitude consciente em meus processos artísticos, a apropriação de discursos de outrem, prática já utilizada na feitura de outros trabalhos, reaparece mais uma vez nesta instalação, ao tentar resignificar o já dito.

 

Nas distâncias percorridas entre quem diz ou rediz através de – o artista, e quem irá dizer em contato com – o espectador, talvez seja necessária ainda alguma outra distância, temporal/espacial ou, para podermos perceber uma vez mais, se ainda continuamos tentado com os nossos olhos que já cansados de tanto ver passam a não mais ver, as articulações mínimas a que se propõem os trabalhos de arte contemporânea.

  

As fotos abaixo foram tiradas pela artista Beatriz Pontes, durante a montagem do trabalho.

 

 

tudo o que esta proximo se distancia erica zingano mac-ce 2006

 

tudo o que esta proximo se distancia erica zingano mac-ce 2006

 

tudo o que esta proximo se distancia erica zingano mac-ce 2006

 

tudo o que esta proximo se distancia erica zingano mac-ce 2006

 

tudo o que esta proximo se distancia erica zingano mac-ce 2006

 

tudo o que esta proximo se distancia erica zingano mac-ce 2006

 

tudo o que esta proximo se distancia erica zingano mac-ce 2006

 

tudo o que esta proximo se distancia erica zingano mac-ce 2006

 

Também apresentei, nesta mesma exposição, o trabalho entre dois pontos, que ficou em duas salas do museu. Para “ativar” o trabalho, era necessário, portanto, que duas pessoas estivessem em pontos diferentes do museu e esticassem o fio desse “telefone sem fio.” 

 


 

 

15/05/2008

A C A S O

A C A S O erica zingano sesc-sp 2002Este poema-instalação em E.V.A. vermelho (20m X 5m) foi realizado no SESC Santana-SP, em 2002, durante a Mostra Sesc de Artes: Ares e Pensares, a convite do Grupo Nova Pasta, coordenado, na época,  pelos artistas Túlio Tavares e Eduardo Verderame. A montagem só foi possível com a ajuda do artista Ricardo Ramalho, que subia e descia o barranco pacientemente. O trabalho, que foi montado sobre este barranco, na praça Orlando Silva, trabalha na chave dos 5: 5 letras, 5 palavras, 5 linhas, 5 colunas. O legal dele, apesar desse ar concretista, é a possibilidade de leitura que proporciona: são mais de 10.000 possibilidades combinatórias. Também foi uma experiência interessante a montagem à céu aberto, porque durante à noite, bandas como Funk Le Gusta e  Mestre Ambrósio se apresentaram num palco montado acima do A C A S O. Uma estranha sensação de ver mais de 1.000 pessoas em frente a uma instalação de um poema! Depois, este trabalho também integrou a antologia de poesia cearense Cortes (na luz:, organizada pelo poeta Eduardo Jorge para a Revista de Literatura Etcétera. A foto foi feita por Luciana Costa.

12/05/2008

da beleza dos rituais

Texto publicado na revista Perversos n°3, em 2005,  publicação independente, coordenada pelos amigos Cláudio Leitão, Joacy Pinheiro e Marcelo Magalhães.

revista perversos  

uma vez mais, para o teatro,

uma história diferente, a mesma história,

em movimento inverso

 
“Homem algum é senhor do vento, para reter o vento;
ninguém é senhor da morte, e nessa guerra não há trégua;
nem mesmo a maldade deixa impune quem a comete.”
debaixo do sol: às claras, desenterrando o que está morto.
enxadas, pás, escavadeiras, duas de cada, para cada par de mãos, dos dois.
inda tinha outra, de ponta afiada, para ir tirando as lascas

destes estilhaços que ficam por debaixo da terra.

do que está morto, apenas fica aparente, na superfície, aquilo que acreditamos por.

– Não duvide, pois, do que está embaixo, seja origem, princípio ou matéria,

 

vivo, mesmo sem respirar, continua

o de dentro que se tira, desencava.
em pausas, já que o tempo do de dentro é outro,
e já que existe tempo para tudo.
as cavas: nesse movimento contínuo, que seja de tirar para respirar o que ainda dentro,

 

na repetição dos movimentos, estivesse.

em meio a tanto suor, se tinha como pensamento:  – O trabalho braçal há de ser duro, meu deus!
mesmo porque todo o trabalho que se faça não é suficiente, muita terra por pôr ao redor

e nisso iam de por em medida, as palavras, no que se desenterra, porque morto vivo morto,

 

 

 

outras tantas apareciam, naturalmente. dois deles, os dispostos, os que estavam, travavam,

 

por entre cavacos, em palavra pensada:
Mais vale dois do que um só. Porque se caem, um levanta o outro. A corda tripla não se rompe facilmente.
o que se via, visto: no de fora: meio tronco de árvore, de cima disto o resto já tinha ido, ficava então este toco,

 

o resquício de algo que se acredita morto. sem folhas ou, viço. disso que podia ser a matéria primeira do poema. da respiração. da metamorfose. isto está morto mesmo, está.

 

entre estes dois limites há algo que não se diz, porque de dentro e fora, vivo.
o que não se via, visto: no de dentro: mais de meio metro de árvore, disto que resta, sem ser vertical,

 

seu domínio é o que se espraia, toma mundo, mesmo que seja este que não se pode ter, o da origem,

 

o do de dentro mesmo, profundo.
e correr atrás do vento, que já se esteve aqui, nesse ir e vir, repetição de antes,
nesse revolver de muita terra ainda do que se acredita morto.
tudo isso é também procura de vento.


12/05/2008

Texte à propos des perfomances

Depuis 2001, Érica Zíngano développe des recherches et des oeuvres plastiques, performances et installations, autour du langage. Ainsi, elle explore des champs de possibilités ouverts par l’interaction – ou son absence – avec des spectateurs; à travers le questionnement de sa propre présence scénique et l’agencement d’autres éléments qu’elle utilise à chacune de ses performances.  

 

Dans Entregando os Pontos / En donnnant les points (2004), expression qui en portugais veut dire se reconnaître vaincu par quelqu’un ou quelque chose, l’artiste donne de petits points autocollants noirs que le public peut ou non coller dans l’espace de l’exposition. Le geste de distribution ponctué par la phrase ‘Eu entrego os pontos / Moi, je n’en peux plus’ qu’elle répète au moment où chaque personne reçoit le point, constitue une tentative de l’artiste de se vider d’elle-même, en partageant avec le public la responsabilité de la réalisation de l’oeuvre. Dans Passa-Tempo / Passe-Temps (2004), encore une fois, l’artiste utilise la distribution pour instaurer un rapport avec les spectateurs, mais cette fois-ci, ce sont de petits papiers contenant des modes d’emploi pour faire passer le temps qui le maintiennent. Les sept passe-temps distribués, comme par exemple, Deixe o tempo para trás / Laissez le temps en arrière, Feche os olhos e conte até o infinito / Fermez les yeux et contez jusqu’à l’infini, etc; permettent aux spectateurs d’avoir une autre perception d’eux-mêmes dans l’espace et de l’espace lui-même. L’interaction avec le public est de nouveau explorée par l’artiste dans - Qual é a saída? / - Quelle est la sortie? (2004). Dans cette performance, le rapport n’est pas construit seulement autour de la question qu’elle leur pose, - Quelle est la sortie?, mais aussi grâce aux actions qui ont été réalisées avant la performance: l’artiste a percé un grand trou dans un des murs de l’espace et a placé au-dessus une pancarte avec le mot SORTIE.

 

Ces actions renvoient les spectateurs au lieu où la performance se déroule et créent une circulation autre dans cet espace: une sortie d’émergence, un passage de fuite, etc. La question posée s’ouvre vers d’autres interrogations, puisqu’elle fait appel aux sorties réelles, autant qu’à d’autres sorties possibles: poétiques, politiques, philosophiques ou imaginaires. Ce type de travail, avec les jeux de mots employés dans ces performances, nous donne la possibilité de percevoir autrement l’espace de l’exposition. Soit en le modifiant physiquement, comme dans Entregando os Pontos, si l’on colle les points dans cet espace en le rendant autre, soit en ayant une autre présence physique dans ce même espace, comme dans Passa-Tempos ou - Qual é a saída?, si l’on s’aventure dans les jeux proposés par l’artiste.

 

Contrairement aux performances basées sur l’interaction avec les spectateurs, dans lesquelles leur participation est nécessaire pour que le travail se réalise en tant que tel, Érica Zíngano propose aussi d’autres sortes de performances. Dans SIM performance da afirmação absoluta / OUI une performance sur l’affirmation absolue (2005), la répétition à voix haute du mot OUI, pendant un concert d’un groupe de musique électronique, peut être comprise aussi comme une tentative de rentrer dans le vide. Un cri plein d’affirmation, qui à force d’être répété, devient une séquence sans aucune signification apparente, pur enchaînement sonore. La même tentative peut être perçue dans CTRL+C CTRL+V (2005), écriture à l’épuisement sur une ardoise des raccourcis-clavier pour activer le copier/coller informatique. Sauf que dans cette performance, au contraire de SIM, qui va vers le vide en effaçant la signification du mot OUI, celle-ci part du vide, puisque le geste d’écrire ces raccourcis ne copie et ne colle rien. Dans ces dernières performances, les spectateurs sont témoins de la transformation de l’espace, car ce n’est plus l’adresse volontaire au public  qui compte, mais plutôt la possibilité de vider l’espace de l’exposition et de le transformer avec une opération d’abstraction causée par la répétition; même si ces performances entretiennent un étroit rapport politique avec les lieux où elles sont réalisées.

12/05/2008

Elipses

Este texto foi escrito para a exposição … da criação da destruição… do artista Eduardo Verderame, para o Sesc Av.Paulista, em 2003. Por já termos feito alguns trabalhos juntos, me permiti um olhar menos “científico” sobre seu trabalho: o texto é uma espécie de alucinação numa viagem sonora, em suspensão…


eduardo verderame ... da criacao da destruicao... sesc-paulista 2003 eduardo verderame ... da criacao da destruicao... sesc-paulista 2003


Entre um lapso de tempo, quase mais rápido que abrir e reabrir os olhos, existem as elipses, que nos surgem aos olhos como percepção em extensão expansão.

Brechas entreabertas como aberturas rupturas, pura passagem de um lugar a outro, quaisquer. Seja o meu ou o teu. Qual queres? De um lado ou do outro, podemos estar, assim que pudermos atravessar a travessia.

Seja de um lugar que reside na lembrança de um passado ou no sonho de um futuro; ou de outro lugar que reside no sonho de um passado ou na lembrança de um futuro. Tanto faz, indo de lá para cá ou de cá para lá, nessa eterna passagem de um lugar para outro.

Nas nossas pequenas grandes passagens quotidianas ou nas nossas grandes pequenas passagens seculares, reverberam, as elipses, na intensidade do intervalo, por serem apenas perceptíveis nesses átimos, fazendo-nos perceber, se tanto, ou vislumbrar, abismados, as profundezas abissais ou as distâncias constelares desses outros lugares (des)semelhantes que estamos separados contíguos. Por quanto tempo?

Tudo, ou quase tudo aqui, está no que se vê ou no que se acha que se entrevê, na percepção visão dos fenômenos.

As listras, os buracos, os pratos, tudo está sob a ótica do movimento deslocamento.

É através do movimento deslocamento das coisas inerentes às listras, aos buracos e aos pratos, que se faz perceber que dentro delas pulsa latente exatamente o movimento deslocamento. 

Das frases circulares a sensação contínua de repetição, assim como dos círculos listrados. Já das listras circulares e das fendas aberturas rupturas retêm-se a idéia de continuum na extensão expansão ininterrupta infinita.

As listras circulares e os círculos listrados se apropriam do espaço, movimentando-o inteiro no deslocamento de si mesmo. Tudo começa a flutuar no ar voar, numa dança contínua entre espaço, listras, círculos, espectadores. Em várias ordens e em ordens inversas. Com outros passos, outros espaços. Dimensões.

Aqui, ali, acolá, outro lugar, de um para outro, vamos, voltamos, enquanto ainda estamos em qualquer lugar possível.

20/04/2008

noite, dias brancos

Este poema escrito em 2005/2006, iria ser, inicialmente, publicado no livro Semana, reunião de textos de novas escritoras cearenses, organizado pela Natércia Pontes. Também iria ser publicado na revista Ácaro, mas não foi.  Lembrar aqui das publicações que não foram, talvez só sirva para falar do tempo e das novas formas que o texto tomou: das formas em espera ou suspensão. Em 2008, ele foi publicado na Zunái, revista de literatura eletrônica, organizada pelo poeta Cláudio Daniel. Fiquei muito feliz de poder ilustrar o texto com os desenhos da minha amiga Simone Barreto, que tem um trabalho lindo! Coloquei aí embaixo um desenho/escrita dela,  Segredo, que adoro! 

 

  simone barreto segredo

17/04/2008

DEVAGAR -> DI VAGAR

Anualmente, o coletivo EIA – Experiência Imersiva Ambiental – organiza um “evento” de arte com abrangência nacional, recebendo propostas de intervenções urbanas. Em 2006, propus a intervenção DEVAGAR -> DI VAGAR, que não chegou a ser realizada.


devagar divagar erica zingano sao paulo 2006


devagar divagar erica zingano sao paulo 2006


intervenção urbana / cidade / trânsito / vias / ruas / tráfego / circulação / fluxo / passagem / sinalização / interferência / modificação / alteração / resignificação / percepção /



modo de execução

muito simples: DEVAGAR / E -> I /DI VAGAR

técnica: apagamento

materiais

1 pincel ou 1 rolo

1 lata de tinta semelhante à cor de asfalto



zonas de ação

quaisquer dentre as propostas pelo EIA

(obs. grande quantidade de sinalização na zona oeste, devido à sua geografia íngreme.)


quando

para a nossa maior segurança, preferencialmente à noite.

17/04/2008

recto/verso

Em 2005, eu e a Sofi, começamos este recto/verso (démarche/processo): trocas de correspondências por email e caixas e objetos, trazidos e levados por amigos. A correspondência torna-se  ponto de contato de aproximações e  distâncias das nossas diferenças, nesse longo processo de trocas dos nossos cotidianos. Foi a partir da dinâmica dessas trocas, que a exposição, “hier m’abandonne, pourquoi le retenir?” Li Po, desenvolveu-se. Então, estes recto/verso iniciam nosso processo de trabalho.


RECTO

recto/verso erica zingano sofi hemon 2005

VERSO

recto/verso erica zingano sofi hemon 2005

 

17/04/2008

caixa silêncio

Caixa desenvolvida no processo recto/verso com Sofi, para a elaboração da exposição “hier m’abandonne, pourquoi le retenir?” Li Po. De alguma maneira, esta caixa já incopora questões trazidas pela idéia de expor num Centre Médical, talvez por isso a idéia de silêncio, em vermelho. As caixas trocadas durante o processo, foram trazidas e levadas por nossos amigos, que contribuíram para a realização da exposição.

caixa silencio erica zingano 2005

Para ver o conteúdo da caixa, abrir o arquivo em power point: caixa-silencio

17/04/2008

caixa preta 22

 

Caixa desenvolvida no processo recto/verso  com Sofi, para a elaboração da exposição “hier m’abandonne, pourquoi le retenir?” Li Po. Esta caixa, entregue em mãos, encerra o nosso processo de trocas, já que depois dela começamos a trabalhar na exposição.

 

caixa preta 22 erica zingano 2005

Para ver o conteúdo da caixa, abrir o arquivo em power point:

 projeto-caixa-preta-22

17/04/2008

Performance de sociabilização

performance de sociabilizacao erica zingano porto alegre 2001

Em 2001, mudei-me para Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Eu não conhecia muitas pessoas na cidade, apenas algumas do restrito círculo do cinema, já que estava morando com o Gustavo Spolidoro, e também alguns artistas do Torreão, espaço de arte coordenado por Jaílton Moreira e Élida Tessler, que eu freqüentava para estudar.

Resolvi então desenvolver uma “estratégia de sociabilização” ou, melhor dizendo, uma forma diferente de fazer novos amigos: eu pintava meu rosto com bolas de tamanhos diversos, sempre pretas e vermelhas, e saía sozinha para locais públicos, geralmente bares e restaurantes, durante a noite. Eu acreditava que quem viesse conversar comigo sobre o que aquelas bolas representavam poderia ser um amigo em potencial. Assim, eu explicava o “significado simbólico” de ter pintado bolas no rosto e dava boas risadas com meus “novos amigos”.  

Apesar do pouco tempo passado na cidade, minha mudança tornou-se uma mudança efêmera, porque, logo quando me mudei, minha avó materna morreu; consegui fazer alguns amigos. Neste tempo, não pensava em “sistematizar” a perfomance, o que poderia ter sido importante, mas acho que estava mais interessada em conversar com as pessoas do local e entender como a cidade funcionava do que realmente fazer um trabalho “sério”.

Posteriormente, tirei fotos 3×4 com as bolas pintadas no rosto, para ter um registro visual do trabalho, e nunca mais realizei esta performance. Hoje, acho que a própria vida, com suas dinâmicas, nos ensina sobre as relações sociais, apesar de haver sempre um certo desconcerto nisso, uma espécie de sentimento de impostura.

17/04/2008

parangaba/mucuripe

Depois da exposição, “hier m’abandonne, pourquoi le retenir?”, em parceria com a Sofi, segui em viagem, para participar de outra mostra, VIZINHOS, em Viena. Como passaria por Praga, cidade com a qual Sofi mantém também uma relação afetiva, e que eu iria, depois, também passar a ter, lhe perguntei: - Como habitar as cidades em passagens?

Dessa pergunta, surgiram indicações de percursos e ações a serem realizadas em lugares precisos de Praga. As possibilidades de habitarmos, sempre no provisório, e com um olhar de intimidade, as passagens por cidades-sonhos, cidades-reais, cidades-estranhas, cidades…  De algum modo, essa idéia de habitar uma cidade pelo olhar do outro já estava presente na minha vida há algum tempo, sem ser incorporada como uma prática artística… (onde começa a arte e acaba a vida? onde começa a vida e acaba a arte?)

Disso, surgiu a proposta de pensarmos Fortaleza, a partir de uma memória que ela tinha: a linha de ônibus Parangaba/Mucucuripe. Desenrolar um fio, em outra ponta. Porém, assim que retornei ao Brasil, mudei-me para São Paulo, e Fortaleza, minha cidade natal, também passou a ser, para mim, um espaço da memória afetiva.

Desenvolvi então uma espécie de cubo mágico, com o nome da linha de ônibus, explorando o grafismo do tabuleiro, porque, a partir de um desenho que fiz na exposição, pensamos em continuar trabalhando, a partir da dinâmica do tabuleiro…. De certa forma, este objeto, encerra este ciclo de trabalho com a Sofi, e abre espaço, se pensarmos na metáfora do cosmos contida nos tabuleiros, para uma outra relação.

parangaba/mucuripe erica zingano sofi hemon 2006

parangaba/mucuripe erica zingano sofi hemon 2006

parangaba/mucuripe erica zingano sofi hemon 2006

parangaba/mucuripe erica zingano sofi hemon 2006

parangaba/mucuripe erica zingano sofi hemon 2006

parangaba/mucuripe erica zingano sofi hemon 2006

parangaba/mucuripe erica zingano sofi hemon 2006

parangaba/mucuripe erica zingano sofi hemon 2006

parangaba/mucuripe erica zingano sofi hemon 2006

parangaba/mucuripe erica zingano sofi hemon 2006

parangaba/mucuripe erica zingano sofi hemon 2006

parangaba/mucuripe erica zingano sofi hemon 2006

parangaba/mucuripe erica zingano sofi hemon 2006

“Feche os olhos e pegue um cubo mágico na mão e brinque com ele. Se, quando você abrir os olhos, o cubo estiver resolvido, com todas as faces nas cores certas, é melhor você começar a jogar na loteria. Pois é mais provável ganhar duas vezes na megasena do que isso acontecer. Mas o húngaro Emö Rubik, escultor e professor de arquitetura que inventou o cubo, em 1974, nem fazia idéia disso. Seu objetivo era apenas resolver um desafio de design: como construir um cubo cujas partes se movam e continuem presas às outras? Inspirado em pedrinhas do rio Danúbio, ele criou uma estrutura cilíndrica interna que deu conta do recado. Fez a alegria de seus alunos de arquitetura, que ficaram obcecados por horas na tentativa de resolver o enigma do cubo. Mas o curioso brinquedo de Rubik só deixou as margens do Danúbio para ganhar o mundo quando um artigo matemático o pôs na capa da revista científica Scientific American, em 1979. O artigo afirmava que é possível resolver o problema do cubo em 22 jogadas.” (Revista SIMPLES)

17/04/2008

Prato Feito

prato feito erica zingano antonio miralda 27 bienal de arte de sao paulo 2006

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O artista catalão Antonio Miralda desenvolve um projeto de arte sobre comida e gastronomia, envolvendo as mais diversas culturas. Na 27ª. Bienal de Arte de São Paulo, “Como viver junto”, seu trabalho consistiu em distribuir pratos em branco para que pessoas diferentes os “decorassem”, tendo como pano de fundo a realidade brasileira. Achei o projeto super interessante e resolvi fazer um prato. Como acho que não existe nada mais brasileiro que o famoso PF, que alimenta os mais diversos brasileiros diariamente, fiz do meu prato um prato feito! Para ver mais imagens do projeto:  http://www.flickr.com/photos/foodcultura/

17/04/2008

- Qual é a saída?

- qual e a saida? erica zingano galpao-funarte fort-ce 2004A Funarte, estimulando as trocas e vivências em arte contemporânea, realizou várias oficinas de arte em Fortaleza, uma delas coordenada pelo artista Ivens Machado. A idéia da oficina, que aconteceu num velho galpão cheio de entulho ao lado do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, era criar situações artísticas, entendo o processo e o lugar/ espaço como elementos relevantes na criação artística. 

 

Então, a partir de materiais já existentes no local da oficina, desenvolvi a performance “- Qual é a saída?”. Coloquei uma velha placa escrita SAÍDA sob um buraco que já existia numa das  parede do galpão que dava acesso a uma escada para o piso superior, justamente na tentativa de resignificar o espaço, produzindo outros significados. Além disso, fiz um vídeo- performance, em que interrogava outros artistas/ espectadores/ curadores,  perguntando-lhes: - Qual é a saída?

 

Desta forma, o significado literal da saída estava em jogo, pois poderia remeter a uma saída física, como a uma outra possibilidade de escape – uma saída imaginária?-, mais abrangente, já que a pergunta/ situação permitia várias interpretações.   

17/04/2008

Sobre a natureza de

Texto para a exposição Mapa de dentro, da artista plástica Thereza Salazar. O mais legal de ter feito esse texto foi a possibilidade de trocas entre mim, o Eduardo Jorge, que também escreveu, e a Thereza. Experienciar, no processo criativo, outras vozes, e os volteios que as idéias dão, antes de ganhar forma.

 

 

Thereza, aqui segue o texto, com um dia de atraso! me foi impossível ontem a Internet…

Edus mando tb pra vcs darem a ver o que se está em jogo! tentei fazer com que o texto dialogasse com as notas do Edu talvez por isso os números/rodadas que entram em jogo quando se pensa este, como possibilidade labiríntica aqui, um embaralhamento de quem está em curso, em jogo alguns trocadilhos lingüísticos, como trapaças, ou cartas escondidas na manga um texto, como um jogo, se encadeia de sentidos sucessivos, como se ao mexer uma peça anterior a frase sucessiva se acumulasse do que já se foi dito, nas rodadas anteriores o risco, como traço, como fio, como ao que se arrisca tb, estar-se em jogo o que se imola é nós mesmos e o fim aberto, como algo que não se finda, pois ora: no fim do, em curso aqui entram outras imagens labirínticas, como o espelho, em sucessivos gestos inapreensíveis, pois do começo que não se sabe que é começo, pois que meio tb a idéia do texto tb foi quebrar com o tempo, já que se perde a temporalidade num estar labiríntico mesmo se tendo rodadas a idéia foi de embaralhá-las, em  texto escrito,  para que se perdesse o referencial, não nos números, mas no texto, as horas estão mas é a percepção delas  que é distorcida me diga se isso funciona, e se aos trabalhos teus um olhar deixo beijos e espero voltas, espero que não tenha ficado grande com uma saudade boa de são paulo,

érica

 

thereza salazar mapa de dentro 2005

 

Caminante, no hay camino,

se hace camino al andar

Antonio Machado

 

1ª rodada: sobre a natureza de um pré-curso                                                        

Qualquer possibilidade de idas, seja num compasso xadrez ou num casamento de iguais, dois e dois como quatro, ou mesmo numa seqüência crescente de números e letras, o risco. Toda a ida não está definida de princípio, e não se faz sozinha. Ir ao ritmo do outro que te impõe uma medida, um compasso, um percurso. Imaginá-lo, e seus desdobramentos possíveis, talvez seja, o que poderíamos considerar como o interesse maior. Um fio, um gesto, um passo que guiam uma ida. Várias delas, se muito ainda se há para ir. Visionar, por entre gestos, qualquer que seja ida, mesmo que não se realizem, se acaso o fio te levar por outro lugar.  Nunca poderemos certezar.

 

2ª rodada: em curso, no meio do

Do que já se está em meio começo, metade. Podendo sempre representar um início. Os limites não são fixos. De onde se parte ou para onde se chega. Pelo menos, dentre tantos, um. Se me dizes, – Vem, estou a ir, por entre este que me mostras ser um possível. Seguro a tua mão, pelo que seja um encontro de peças, peões ou cartas. Vou. Neste gesto de, se como metáforas, fio ou, aproximo-me do que pode vir a ser um risco.

 

3ª rodada: às voltas

Rodopiando em circunferências imprecisas. (O meu gesto é reflexo do teu gesto que é reflexo do meu – já não se sabe quem me te segura a mão) O que aparentemente se figura como uma linha, se de começos pensamos início até, é inevitável que, quando já se está em jogo, perca-se o que primeiro seria primeiro.   

 

4ª rodada: sobre a natureza de um percurso

De longe, isto me lembra um déjà-vu.

 

5ª rodada: no fim do, em curso

17/04/2008

TRANSITORIAMENTE CIDADE À REVELIA

 

 

transitoriamente cidade a revelia erica zingano esqueleto coletivo onde fica sesc sp 2005

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O grupo de arte Esqueleto Coletivo organizou, no SESC. Av. Paulista, a exposição coletiva Onde Fica. Uma das coisas legais da exposição foi a montagem, porque os trabalhos se misturavam, integrando-se, e criando assim uma situação expositiva não convencional. Ao longo da mostra, o grupo também movimentou o espaço do SESC convidando vários artistas para participarem de um ciclo de performances, transformando o museu em um espaço ativo, de vivências e trocas, ao invés de concentrar encontros apenas na vernissage, o que é muito comum na maioria das exposições. Como a mostra dialogava muito com a cidade e suas percepções e experiências do próprio coletivo atuando no espaço urbano, montei uma das frases-instantes em vinil auto-adesivo, imitando a letra/forma das pichações da cidade de São Paulo. 

16/04/2008

A descoberta do amor

   

a descoberta do amor erica zingano solon ribeiro o golpe do corte ccbnb 2005O artista plástico Solon Ribeiro convidou alguns artistas para intervir em sua imensa coleção de fotogramas e  realizar trabalhos a partir dela. Assim, o vídeo A descoberta do amor  foi criado num diálogo entre imagem (frame) e palavra (falas escritas), já que escolhi apenas fotogramas com legenda para “narrar” a saga, uma tanto cômica, do amor. O vídeo foi exibido na exposição O Golpe do Corte, realizada em 2005, no Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB), em Fortaleza-CE.

 

Abaixo, a transcrição das legendas dos fotogramas utilizados no vídeo - os textos em vermelho são falas femininas e os em azul, falas masculinas. As indicações como V2 pg 89 correspondem à catalogação – um tanto enigmática – dos livros de onde os fotogramas foram selecionados.  As fotos da sala de exibição foram feitas pelo Armando Menicacci.

 

a descoberta do amor erica zingano solon ribeiro o golpe do corte ccbnb 2005a descoberta do amor erica zingano solon ribeiro o golpe do corte ccbnb 2005a descoberta do amor erica zingano solon ribeiro o golpe do corte ccbnb 2005

 

V2 pg 89 M: Toda a dramaticidade dos mais íntimos anelos de uma mulher.

V2 pg 58 H:… não poderá  ela buscar outro sentido para a vida?

Pg solta 1 M:… Tens que começar… com alguém.

V2 pg 72 M: Também sabe a história de Tristão e Isolda?

Pg solta 2 M: Não, a menos que seja atrevido!

V2 pg 56 H: Diga-lhe que entre

V2 pg 52 M: Juraria que vi este homem antes.

Pág solta 6 M: Vejo que assim é.

Pág solta 7 H: assim?

V2 pg 92 H: Se vc imagina que…

Pág solta 5 M: é doidinha por ele

Pág solta 3 M: admiro-o, gostaria de conhecê-lo bem.

Pág solta 3 M: agora compreendo

Pág solta 4 H: A filha dele me atrai muito…

Livro ÑA pg 11 Palhaço

Livro ÑA pg 12 H:… uma senhora que conheço. Sinto muito. Não sabia…

Livro ÑA pg 33 H e H: Está bom para família, não para mim.

V2 pg 54 H: Se eu estivesse…

V2 pg 56 M: Posso perguntar?

Livro ÑA pg 20 H: gostaria de saber.

V2 pg 58 M: Sou Madeleine Danzegler.

V2 pg 58 H: É verdade. A culpa foi de não nos havermos apresentado.

V2 pg 59 H: Não ficou com rancor?

V2 pg 60 M: Só a morte me impedirá disso!

V2 pg 62 M: Sim… o mais depressa possível

V2 pg 57 H: E acho que você também gosta de mim.

Livro ÑA pg 19 H: Você pode inspirar tamanho amor

Livro ÑA pg 49 M: Com este fuzil me sinto crescida.

Livro ÑA pg 49 H e M: Creio que compreendo.

Livro ÑA pg 32 H: Demais, temos que fazer agora.

Livro ÑA pg 30 H: Um tônico poderoso…

V2 pg 63 M: Tome um pouco de sopa de cevada.

Livro ÑA pg 2 H: Terei muito prazer em fazer isso.

V2 pg 71 M: mas custa tanto, crescer!

V2 pg 97 M: Não pode dizer-me o que aconteceu?

V2 pg 51 H: Ouça como vibra o bogó

V2 pg 63 H: Enfiados como se fossem pérolas.

V2 pg 95 H: Mas não é ouro o que eu quero.

V2 pg 63 H: Gambi!… mais depressa! Mais depressa!

V2 pg 81 H: Queremos chegar logo. Guiai-nos…

V2 pg 59 M:… na ilha do templo de Vishnui o deus do fogo

V2 pg 99 M: Encontrou afinal o que você tanto desejava?

Pág solta 6 M: Muito abafados

V2 pg 69 M: Lógica dos demônios.

V2 pg 75 H: Eu estou pensando em você!

V2 pg 74 M: E vê quanto eu te quero Oh! Bem amado!

V2 pg 74 M: Às vezes é prudente não revelar tudo.

V2 pg 67 H: … vilmente?

V2 pg 66 M: - Ou não gosta de mim?

V2 pg 89 H: Não leve tudo tão a sério.

V2 pg 85 M: “de boca deliciosa que deseja beijar”

 V2 pg 84 M: Então, estou apaixonada! E não se deve censurar uma mulher apaixonada.

V2 pg 95 H: - Talvez.

V2 pg 84 M: “Como poderia imaginar, se és tão bonita.”

V2 pg 99 H: Não me pergunte nada.

V2 pg 71 M: Somos tão diferentes, querido. Foi isso o que eu compreendi.

V2 pg 66 H: – Não aconteceu nada… Não se preocupe

V2 pg 58 M:… mesmo a dor da ausência do ente amado.

V2 pg 61 H: Não prometi casar-me com você!

V2 pg 53 M: Então fazem discursos.

V2 pg 88 M: Sim, já sei… Digo-te saudoso adeus…

V2 pg 77 M: Pena! gostava tanto quando você vinha dizer adeus.

V2 pg 60 M: Desculpe. Já começa a aprender…

Pág solta 8 H: Seus pecados levaram-na à loucura

V2 pg 69 M: Já sei. Mandaram-na vir aqui para ver se estava bem.

Livro ÑA pg 9 H: Deixe terminar. Mas mande cercá-lo

V2 pg 91 M: Eu me rio do mundo, que afinal, não é eterno. 

16/04/2008

A câmara de ecos

 

planetario a camara de eco erica zingano eduardo verderame 2002

Poema sonoro realizado em parceria com o artista plástico Eduardo Verderame. Na verdade, o mérito da criação do áudio é do Edu, porque foi ele quem manipulou e mixou, criando essa repetição em cadência… A única coisa que eu fiz, de fato, foi escrever e ler  e repetir como uma cobaia! O poema foi gravado sob o planetário do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em 2002. É embaixo dessa grande cúpula prateada, uma grande câmara de eco,  que aparece aí na foto.  Apresentei este poema durante a 5ª Bienal Internacional do Livro do Ceará, no espaço Arena do Escritor, coordenado pelo escritor Carlos Emílio, no Centro de Convenções, Fortaleza-CE. Depois, o Eduardo também fez um vídeo-poema a partir dessa trilha.

 

 

 Desde que eu postei essa ferramenta de áudio aí em cima, nunca consegui ouvir aqui no blog! Para ouvir, talvez seja melhor ir direto no site onde armazenei: câmara de eco (versão de ez) e  câmara de eco (versão de ev).

16/04/2008

“o/jardim/de/caminhos/que/se/bifurcam”

Desenhos - escrita: palavras e números e setas e infinitos, retoma a idéia de espaço labiríntico – a partir do conto homônimo do escritor Jorge Luís Borges; recriando, no espaço expositivo, através da disposição e da montagem em superfícies suspensas (1,5m X 0,95m), diferentes possibilidades para uma escrita  poética. Este trabalho foi concebido especialmente para a Sala de Vidros do Espaço Cultural do CEFET- CE, em 2002.

Fotos: Waléria Américo

jardim ext1

e

jardim ext2

e

jardim int4

e

jardim érica wal

e

jardim montagem2

e

jardim montagem1

e

jardim int1

e

jardim int2



01. Escrita de palavras em Labirinto:


02. Percebo e sinto uma certeza visível e legível que entre as palavras e a matéria (ou suporte) há mais do que apoio ou necessidade para que cada um seja e esteja.


03. As dobras fazem parte do desdobramento da palavra, suas inclinações/ derivações, para que vejamos como elas podem se equilibrar nos precipícios e quedas com que se integram nas minúsculas, humilde com que hierarquizam, sem vaidade de sobreposições: é a espera do leitor.


04. Imagens físicas e imagens mentais agora feitas palavras; são palavras a evocar impressões que rápidas deixam um travo, uma “aspereza”, alguns toques de precisos vocábulos em versos – estrofes que dizem apenas o que eles conseguem registrar.


05. Na linguagem de linguagens, de poetas e poetas, com palavras ou titãs, a presença de uma leitora que não se conformou com a contemplação, com a respeitosa admiração e que, à maneira de Mme.Stäel, resolveu tentar a experiência decisiva: com quantas letras, com quantas palavras, com quantas texturas, com transparências e opacidades, para que o vermelho e o azul rasguem a inércia.


06. Vale o esforço, a ousadia de criar, entre aqueles que continuam a lutar na “rotação dos signos”.


07. Para tudo isto juntarem-se alinhavos, o que sem dúvida, lembra os pontos, a linha rústica, ainda com o cheiro dos carneiros, que cedem sua vestimenta de lã, para tecerem-se cordões, faixas, com que se fechavam os livros, os códices. Guardem-se com cuidado as texturas, seus odores, pois os tempos são de desumanismo. Salvos estão os que poetam.


Texto escrito para a exposição por Odalice de Castro e Silva, Profa. Dra. de Teoria da Literatura e Literatura Comparada da Universidade Federal do Ceará:  leitora de poetas, romancistas, construtores com palavras, reumanizadores dos tempos.


jardim1


jardim2


jardim3


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14/04/2008

Archeoglifos

Este trabalho surgiu a partir de uma viagem que fiz com o Eduardo para as 7 cidades, no Piauí. Na época, o Edu tinha um livro infame sobre a possibilidade da presença Viking no Piauí, há muito tempo atrás, quando por lá o sertão era mar! Não consigo conter as risadas, sempre que penso nisso… Nossas viagens absurdas também não pararam por aí, fomos depois até o Quixeramobim “investigar” outras escrituras rupestres… Dessa vez, não fomos ao Quixadá, onde também valeria a pena “investigar” sobre a presença dos óvnis nas rochas mágicas que estão no sertão central do Ceará!


O trabalho surgiu  então da experiência dessa viagem e o  Edu propôs que ocupássemos a parede laranja do Alpendre – Casa de Arte, Pesquisa e Produção; com uma instalação em vinil auto-adesivo, material que usa sempre, e que junto criássemos um texto, falando das escrituras rupestres… Me senti meio Jorge Luís Borges, ao inventar cientificidades absurdas. No final, acho que o trabalho ficou bem legal, o vinil prata, brilhante, meio lunar, na parede laranja, e um texto completamente absurdo! Abaixo, para a felicidade geral da comunidade Viking na América, é possível ler o texto que criamos! (Mais risadas infames!)


Para ler sobre outros desarranjos na comunidade científica: efeito sokal

archeoglifos ev ez alpendre fort-ce 2003 archeoglifos ev ez alpendre fort-ce 2003

Archeoglifos: controvérsias na comunidade científica

Fonte: Agência Nacional Internacional, 16/06/03.


A comunidade científica mundial foi surpreendida por uma descoberta

que altera de modo significativo os rumos da antropologia

pré-histórica. Nos arredores de Nova Grijós (TO), foi encontrado um

sítio arqueológico não apenas com vestígios materiais que comprovam a

ocupação da região por um antigo aldeamento, mas também com um dos

painéis de arte rupestre mais bem preservados a céu aberto das

Américas. Os archeoglifos descobertos por nativos no início do ano,

próximo à Cachoeira dos Milagres, atraíram a atenção de renomados

pesquisadores de todo o mundo, empenhados em desvendar o significado

das misteriosas inscrições na pedra.


O Dr. Hans Hartmann, da Universidade da Mogúncia Oriental, atribui

categoricamente as inscrições à civilização Viking que supostamente

teria habitado o norte e nordeste brasileiros 500 anos antes da

ocupação portuguesa do continente.


O estudo deste célebre autor bávaro afirma que as pinturas pertencem à

diversos períodos, podendo ser divididas em três fases distintas. A

primeira delas, de pinturas dos próprios Vikings; a segunda, de

nativos que foram influenciados diretamente por eles; e a terceira, de

povos selvagens que apenas imitavam os grafismos, sem deles depreender

nenhum sentido. O doutor também interpretou os archeoglifos como se

fossem símbolos rúnicos numa tentativa primitiva de poesia, que

“traduzem a angústia Viking diante da idéia do lar distante e dos

fugazes acontecimentos da existência”:


” Rastro aqui.

Pata? Nada.

Ali perna pegada.

Resto? Pé aqui.

Ali cavalo perto.

Cavalo cavado.

Perna perna perna?

Aqui ali além.”


Já para a Doutora em Arqueologia da Universidade de Val-de-Cães,

Mercedes Valentine, os archeoglifos são a representação do Cosmos

Universal. “Sem sombra de dúvidas, as pinturas estão intimamente

relacionadas aos trânsitos planetários, pois, como podemos perceber, o

Deus-Sol é o ordenador celestial, responsável por todos os ciclos que

ocorrem na Terra e a Deusa-Lua é a responsável pelas mudanças desses

ciclos, sendo ainda esses grafismos associados aos princípios

masculino e feminino, relacionados respectivamente ao Deus-Sol e à

Deusa-Lua”.


A Dra. Valentine ainda vai além quando diz que os grafismos fazem

parte de um complexo Tratado Astronômico, uma vez que, quando

analisados como um todo, implicam numa superabundância de realidade,

ou por outras palavras, numa irrupção do sagrado no mundo. Segue-se

daí que toda construção ou fabricação tenha como modelo exemplar a

cosmogonia, pois alguns pontos específicos do painel trazem formações

estelares específicas do Cosmos de 15.000 anos atrás, bem como Júpiter

representado pelo “homem pássaro voador ancestral” e Mercúrio pelo

“veado da planície”.


Outra versão que explica o extraordinário painel de pinturas rupestres

é a do investigador diletante Leôncio Ferrari, para o qual não existe

uma interpretação possível para os archeoglifos. “Qualquer leitura a

respeito das pinturas depende de uma análise mais detalhada da

estratificação do terreno, não se limitando apenas às evidências na

pedra. Portanto, só posso declarar por hora que as inscrições seguem o

padrão já conhecido de outras itacoatiaras do território brasileiro,

sendo divididas em motivos do próprio cotidiano da civilização que

habitou a região e motivos geométricos mais abstratos, sendo os

primeiros mais antigos e os últimos mais recentes”. O painel seria, de

acordo com o estudioso, puro reflexo do “instinto proto-humano”, como

ele mesmo afirma.


Longe de se existir um consenso nas interpretações dos especialistas

internacionais, a descoberta de Nova Grijós ainda renderá inúmeras

discussões sobre a origem do homem na América.

14/04/2008

Drobapura – a arte da meditação

drobapura erica zingano dragao do mar 2005

 

Plaquete publicada em 2005, pelo Núcleo de Literatura do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, coordenado, na época, pelo poeta cearense Carlos Augusto Lima. criação – imagens, texto e projeto gráfico: érica zíngano / diagramação: sônia abreu 

  

Abaixo, as imagens e o texto publicados na plaquete:

 

plaquete drobapura erica zingano cdmac 2005

 

 

 

 

 

 

 

 

 

plaquete drobapura erica zingano cdmac 2005

 

 

 

 

 

 

 

 

 

plaquete drobapura erica zingano cdmac 2005

 

 

 

 

 

 

 

 

 

plaquete drobapura erica zingano cdmac 2005

 

 

 

 

 

 

 

 

 

plaquete drobapura erica zingano cdmac 2005

 

 

 

 

 

 

 

 

 

plaquete drobapura erica zingano cdmac 2005

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 plaquete drobapura erica zingano cdmac 2005

 

 

 

 

 

 

 

 

  plaquete drobapura erica zingano cdmac 2005

 

 

 

 

 

 

 

 

 

plaquete drobapura erica zingano cdmac 2005

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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às vistas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

em todo processo – ação ou ato de repetição de
uma duas mais – que se queira processo

reconhecer o que já se conhece
e que não se tem como estranho? uma vez mais

irreconhecível

 
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de olhos abertos

 

 

 

 

advertência:

 

 

 nem sempre se percebe o que se reconhece reconhecido

 

deparar-se com o irreconhecível

já é , de alguma forma, ser-se

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entre o abrir e o fechar de olhos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


dessegundos

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de olhos fechados

 

 

 

 

 

 

experimentar, de novo, a sensação de reconhecimento 

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(pausa)

 

 

 

 

 

 

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de olhos abertos com os olhos fechados

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

em todo processo – ação ou ato de repetição de
uma duas mais – que se queira processo

 

conhecer o que já se reconhece
e que já não se tem como estranho, uma vez mais

 

 

reconhecimento

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_________________

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
pensar além de pensar e não-pensar

 

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 às cegas

 

 

 

 

 

 

 

tentear ainda umas vezes mais, quantas forem as vezes, muitas
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14/04/2008

Usucapião

Este foi o  meu primeiro trabalho exibido numa exposição de arte,

o 4° Salão de Sobral de Arte Contemporânea.

usucapião2

Na época, escrevi esse poemeto, pensando na postura do espectador diante desse tipo de trabalho.

para palavras circunscritas:

circunspeção

para que, a qualquer momento,

a palavra possa apossar-se de nós

ou o contrário


usucapião1


14/04/2008

Leituras

Performance e vídeo em 3 três tempos, 3 livros, 3 leituras,  3 vermelhos - alguma circularidade em trânsito pela cidade de Fortaleza-CE. No vídeo, a cidade é apropriada subjetivamente, pois é capturada em passagens, podendo ser vista apenas de soslaio, pela janela do ônibus:  paisagem em movimento. O vídeo foi filmado e editado pelo Grupo Transição Listrada: Vitor César, Renan Costa Lima e Rodrigo Costa Lima, e exibido na exposição*Trânsitos/ Poesia em Revista, organizada pelo Grupo Rasura de Poesia: Diego VinhasEduardo Jorge, Henrique Dídimo e  Júlio Lira, no Centro Cultural Banco do Nordeste, em 2005.

frame video leituras erica zingano transitos ccbnb 2005

 


 

 

folder poesia em revista grupo rasura transitos centro cultural banco do nordeste 2005

14/04/2008

Para guardar segredos

Imersa no universo das trocas de correspondências e cotidianos, e também fascinada, de alguma forma, com o universo da intimidade experimentado nos processos de criação com Sofi Hémon, para a exposição “hier m’abandonne, pourquoi le retenir?” Li Po, o trabalho de Viena, que foi exposto meses depois da exposição de Mulhouse, surgiu, primeiramente,  como uma continuidade desses pontos de contanto.  

Também, na época,  estava muito influenciada por Enrique Vila-Matas - que acabei conhecendo no Salão do Livro em Paris – e seu livro História Abreviada da Literatura Portátil, que dialoga com o universo de Marcel Duchamp  das maletas, das miniaturas e das caixas….

A caixa verde de Marcel Duchamp, quando esteve exposta no Centre George Pompidou:

caixa verde marcel duchamp paris 2006

 

Então, uma primeira idéia apresentada era realmente uma continuação desse processo:

 

Caixa SILÊNCIO, 2ª versão

A partir da primeira caixa SILÊNCIO (22 objetos), caixa-processo da exposição “hier m’abandonne, pourquoi le retenir?” Li Po, realizada em Mulhouse-FR,  proponho  uma segunda versão da caixa, seguindo a mesma lógica de construção da primeira, talvez até como um desdobramento. Podendo, no entanto, esta lógica ser modificada no seu processo de feitura:


1)Trabalhos: amostra de trabalhos anteriores realizados pela artista;


2)Para realizar obras: objetos que detêm em si obras em potencial, que podem ser desenvolvidas em vários suportes;


3)Para tocar o outro: objetos que servem para estabelecer uma relação de alteridade, podendo essa conter vários níveis;


4)Para tomar notas: objetos de observação permanente;


5)Para estabelecer uma conversação: objetos que servem ao homem para estabelecer uma das mais antigas artes, a arte da conversação;


6)Para arquivar: objetos de catalogação rápida.


Obs.: algumas propostas contidas na caixa, como obras em potencial,  podem vir a ser desenvolvidas e se transformarem em trabalhos para a exposição, podendo serem apresentadas em suportes diversos: como fotografias, por exemplo.

 

No entanto, como todo processo de criação é como um processo de limpeza, numa tentativa de se chegar a uma idéia essencial, o trabalho tomou corpo, reduzindo-se à idéia do segredo, do que não se mostra, do que se guarda no fórum íntimo de cada um de nós.  

 

Desenhei uma caixa de acrílico transparente, que foi fabricada pensando nessa idéia do baú das memórias, como aquelas caixas em que guardamos fragmentos, papéis, cartas, vestígios do passado e que seria fechada com um cadeado de segredo numérico. A caixa foi transportada por um amigo até Viena e, no processo de montagem, foi quebrada. Outra caixa foi fabricada, mas seu formato lembra mais o de uma urna eleitoral, não o de um baú.

 

De todo modo, o trabalho foi montado e, no espaço expositivo, criava um silêncio, um espaço para olhar-se, em segredo.

 para guardar segredos erica zingano viena 2006

 

 

 

 

 

 

 

 

para guardar segredos erica zingano viena 2006

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para guardar segredos: Um Geheimnisse zu behalten: 

(trad.: Helano Ribeiro)

 

1. Se, e somente se, você sentir vontade, escreva um segredo;

1. Wenn, und nur wenn, du Lust hast, schreib ein Geheimnis;

 

2. Por alguns segundos, observe a beleza de um segredo sobre um papel vermelho;

2. Für ein paar Sekunden, beobachte die Schönheit eines Geheimnisses in einem roten Papier;

 

3. Em seguida, coloque-o com algum cuidado na caixa transparente.

3. Anschließend tu es vorsichtig in eine transparente Box.


 para guardar segredos erica zingano viena 2006

 

 

  
 
 
 
 
 
 

 

 

A exposição VIZINHOS culminou com o término da residência artística do grupo Transição Listrada (Vítor César, Renan Costa Lima e Rodrigo Costa Lima) e do artista Eduardo Verderame, que organizaram a mostra no Freiraum do Museum Squartier, em Viena-Áustria.Para ver o  em pdf: catalogo_capa_viz_scr e  catalogo_viz_scr. Todo o material gráfico foi criado pelo grupo Transição Listrada. 

Abaixo, as instruções do CADEADO DE SEGREDO NUMÉRICO – 25mm

cadeado de segredo numerico erica zingano viena 2006

Inserindo sua combinação:

Seu cadeado de segredo numérico vem ajustado de fábrica para abrir com a combinação 0-0-0.
Para inserir sua combinação pessoal siga os passos a seguir:

1. Deixe os dígitos na combinação de abertura 0-0-0 e puxe a haste para abrir;

2. Gire a haste em 90º e pressione para baixo até o limite. Mas antes de pressionar para baixo verifique se a haste está alinhada com o corte no corpo do cadeado.

3. Com a haste pressionada coloque sua própria combinação nos dígitos;

4. Solte a haste e volte na posição normal. Agora o cadeado só será aberto com a sua nova combinação.

14/04/2008

SIM

SIM erica zingano montage noise 3d 2005
SIM erica zingano montage noise 3d 2005SIM erica zingano montage noise 3d 2005PERFORMANCE DA AFIRMAÇÃO ABSOLUTA : junto com a banda de eletro Montage, quando o grupo fazia uma apresentação na casa noturna NOISE 3d, em Fortaleza-CE, repeti, durante uma música inteira, a palavra SIM incansavelmente. Esta repetição em voz alta, durante um show de música – num espaço não convencional de arte –, pode ser compreendida como uma tentativa de esvaziar o sentido da palavra sim. Este grito pleno de afirmação, pela repetição contínua, torna-se uma seqüência sem nenhum significado aparente, puro encadeamento sonoro. Um mantra às avessas? As fotos foram tiradas pelo fotógrafo Nicolas Gondim.
 

14/04/2008

As chaves certas abrem as portas certas

terra incognita fortaleza armando menicacci mac-ce 2005Esta instalação surgiu como uma proposta do prof. de dança e novas tecnologias Armando Menicacci (Paris VIII), à Bienal de Dança do Ceará, e foi realizada no Museu de Arte Contemporânea (MAC-CE), no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Com um grupo diverso, entre dançarinos e escritores, trabalhamos desenvolvendo propostas sonoras e interativas para a instalação. Foi muito interessante ter contato com tecnologias diferentes para desenvolver uma obra de arte…


A idéia era muito simples: um espectador entraria na sala, completamente escura, e, a partir do seu deslocamento, que era percebido por uma câmera infra-vermelha, a câmera passava a informação do deslocamento para um computador. O computador, usando uma linguagem de programação, disparava uma das propostas desenvolvida por nós, aparentemente ao acaso. A proposta era então enviada a uma das 8 caixas de som espalhadas nos cantos da sala. Na programação trabalharam Christian Delecluse e Brunno Galvão e na viabilização do Ernesto Gadelha e David Linhares.


O PROJETO: DA IDÉIA…


No negro da caixa craniana, pensamentos, sensações e lembranças se misturam sem solução de continuidade quer estejamos num estado de vigília ou de sono. Um fio heterogêneo e contínuo de palavras, de sons e de imagens mentais, se segue na obscuridade do crânio.  Se os constituintes destes discursos íntimos são pessoais, o modo de funcionamento destes momentos e destes percursos é idêntico para todos: associações livres ou neuróticas, contrastes, assonâncias lingüísticas, visuais, alucinações olfativas, tácteis, etc.


… À FORMALIZAÇÃO DE UMA OBRA


Sobre a constatação da riqueza da vida mental subjetiva e, às vezes, inexprimível, eu gostaria de criar uma instalação interativa exclusivamente sonora no escuro quase completo. Um único espectador por vez a penetra e lá permanece quanto tempo quiser.


Este espaço se tornará vivo apenas pelo som. Ele é como que habitado, freqüentado, transpassado por vozes espacializadas que são como outras tantas presenças se colocando em relação com o espectador.  São menos aparições e fantasmas, mas às vezes talvez, que voam no espaço da instalação, do que as vozes da consciência interna do espectador, seu espaço mental. O que será colocado em cena é o movimento obscuro – em todos os sentidos do termo – palavras e imagens mentais de uma pessoa. O espaço catalisa o temor, as esperanças, as ilusões e as decepções de cada um. Estas vozes estão em relação com os movimentos do espectador, ou seja, o espaço é restituído ao espectador em função de seus deslocamentos.


DESCRIÇÃO


Um computador ligado a uma câmera sensível ao infravermelho segue os deslocamentos do espectador mergulhado em uma obscuridade quase total. Um segundo computador recebe os dados do primeiro computador desencadeando e especializando os textos sonorizados em oito canais de áudio independentes,  em função dos deslocamentos do espectador.


As caixas de som estão situadas nos ângulos de um cubo imaginário a fim de criar um espaço sonoro em 3 dimensões. Os textos sonorizados são escolhidos em uma grande base de dados e são enviados e espacializados em função dos deslocamentos do espectador.  Este sai, naturalmente, quando quiser. Uma pequena luz é colocada sobre a porta de saída para que ele a encontre quando tiver necessidade.  Sobre o chão, há almofadas para que ele possa sentar-se, se desejar.


O som, sua espacialização e o negro da sala constituem os únicos elementos desta simples instalação. O aspecto complexo e interessante é a constituição de textos sonorizados e seu encadeamento no tempo bem como sua viagem no espaço.


ASPECTOS ARTÍSTICOS, TÉCNICOS E INFORMÁTICOS


Associamos, muito freqüentemente, as tecnologias digitais à imagem.  À margem do bombardeamento de imagens, eu gostaria de me concentrar sobre o som e realizar uma instalação puramente sonora na qual a espacialização participa da narração.


Eu me voltei aos meus estudos de musicologia e eu vi como a supressão de imagens, estando no escuro, é capaz de levar a percepção do som à criação de imagens no espírito do espectador. Com escritores e artistas de Fortaleza, eu gostaria de, então, criar uma história que seja suscetível de representar seus próprios imaginários. Respondendo às necessidade pessoais e locais, mas se abrindo, graças aos olhares críticos de todos sobre os aspectos simbólicos que permitem aos textos sonorizados serem mais simbólicos e gerais.


Para as questões mais técnicas, ligadas à informática, eu estou em contato com Brunno Galvão que desenvolveu um sistema de tracking que será aplicado à instalação para seguir os deslocamentos do espectador.


ASPECTOS PEDAGÓGICOS


Esta instalação é concebida também como um container que podemos preencher com diferentes histórias de inúmeras escrituras. Ela é o produto, também, da minha experiência pedagógica sobre as relações entre a presença cênica e as tecnologias digitais. Como eu já preparei uma parte dos mecanismos de interação e de sucessão das partes é interessante desenvolver um aspecto pedagógico da instalação que permitiria reunir artistas de Fortaleza em um ateliê de escritura interativa para que uma(s) história(s) seja(m) escrita(s) coletivamente, e dessa forma pudesse ser colocada nesta máquina narrativa. Nós vamos juntos também programar a espacialização sonora: decidir quais movimentos do espectador devem coincidir com que texto, bem como determinar para qual direção o som sairá.


As questões pedagógicas tratadas para esta realização são:


- escrita de uma narrativa aberta;

- a dramaturgia da interatividade,

- o espaço da instalação como teatro,

- a espacialização sonora e musical.


Imagens da sala com os equipamentos:

terra incognita mac-ce 2005

terra incognita mac-ce 2005

PROPOSTA: As chaves certas abrem as portas certas

GRAFICO as chaves certas abrem as portas certas erica zingano armando menicacci cdmac 2005

1) Sons de portas sucessivas se fechando (percurso do som em todas as caixas, noção de espacialização), como para ilustrar que ele acabou de entrar num ambiente e que as portas deste ambiente se fecharam.

2) Sons de chaves caindo, uma chuva de chaves. As chaves caem de caixas de sons separadas para dar a noção de espaços diversos, é como se elas estivessem em diversos lugares.

3) Começa a Música: The Private Psychedelic Reel, The Chemical Brothers, que tem um crescendo e instiga uma ação/deslocamento,

4) A música ao fundo em TODAS as CAIXAS, o texto começa a ser dito na caixa de som mais próxima ao espectador. Se ele se mexer, o texto o acompanha na caixa de som mais próxima.

1º momento: AS REGRAS / parado ou movimento (texto linear)

A) Um jogo em que possibilidades estão postas: a procura de uma saída

B) Por onde deve começar? Uma dica: Em todos os cantos, se você procurar vc pode encontrar.

C) Para sair, é simples, uma coisa depois da outra

D) Não basta achar a chave. A porta, como seu duplo, deve ser encontrada

E) As chaves certas abrem as portas certas

F) Pode ser que, ao procurar, acabe por encontrar, ou não

G) Uma chave, várias delas, apenas uma, a certa

H) Em todos os lados possíveis, uma porta, um labirinto às escuras

I) O começo e o fim é vc quem determina, como em toda procura, encontro

2º momento: NA PROCURA/ CHAVE

Na procura/ movimento (NÃO LINEAR)
J) Para encontrar é preciso procurar um pouco mais
E) As chaves certas abrem as portas certas
F) Pode ser que, ao procurar, acabe por encontrar, ou não
G) Uma chave, várias delas, apenas uma, a certa

Na procura/ parado (NÃO LINEAR)
K) Se vc não se mexer, nunca vai encontrar
L) Quem procura, pode encontrar, para tanto, a busca
M) Em toda busca, o risco se faz presente. O que você está esperando?
N) Para encontrar, você precisa procurar, em todos os lugares possíveis
O) De um lado para outro, talvez esse seja um percurso possível

SITUAÇÕES POSSÍVEIS
Se estiver na direção contrária:
P) Se vc for por ali, talvez encontre uma pista

Se estiver muito perto, em frente:
Q) Tenha paciência, às vezes, o que procuramos, está à nossa frente

PARA SINALIZAR QUE ENCONTROU A CHAVE:
(pode ser estabelecido em um lugar X do espaço ou depois de N minutos de percurso)
1º SOM chute da chave para frente,

2ºSOM / FRASE: (no deslocamento dele em direção à chave)
R) Com a chave na mão, basta abrir a porta.
Qual delas?

3º momento: NA PROCURA/ PORTA (NÃO LINEAR)

S) A saída é sempre a mais óbvia, o que não quer dizer a mais rápida.
D) Não basta achar a chave. A porta, como seu duplo, deve ser encontrada
E) As chaves certas abrem as portas certas
F) Em todos os lados possíveis, uma porta, um labirinto às escuras

Na procura/ parado (NÃO LINEAR) repetição das frases
K) Se vc não se mexer, nunca vai encontrar
L) Quem procura, pode encontrar, para tanto, a busca
M) Em toda busca, o risco se faz presente. O que você está esperando?
N) Para encontrar, você precisa procurar, em todos os lugares possíveis
O) De um lado para outro, talvez esse seja um percurso possível

PARA SINALIZAR QUE ELE ENCONTROU A PORTA:
(pode ser estabelecido em um lugar X do espaço ou depois de N minutos de percurso)

1º SOM pessoa esbarrando numa porta

2º SOM barulho de porta se abrindo, outra proposta ou som: barulho de mar ou vento.

14/04/2008

Texto sobre si

Um texto dá-se a ler. Talvez essa frase não seja minha, seja dele, tanto faz. Existe um acordo lícito entre mim e ele, uma espécie de permissividade também aceita por ti, que, em algum momento, disse sim. Eu aceito, digo, ele se me dá então, sem restrições aparentes, minhas ou suas. Pergunto-lhe altiva: eu também me dou a ti? Sim, ele me diz, tu também te dás a mim, pois, desde que te decidiste a começar, existia, já neste ato primeiro, doação. Ele prossegue me dizendo vem, estou a esperar-te, tu precisas de mim tanto quanto eu preciso de ti. Precisamos, pois, um do outro e, em voz impronunciada, lemo-nos um no outro, como num ato de amor. Mas, antes de nós, existes tu, existiam outros. Assim se sabe há muito e talvez assim se continue até sempre. Apenas dessa forma é possível que ele exista e que nós existamos também. Tornamo-nos, pois, um triângulo. Neste triângulo que se deu a existir, somos eu, tu e ele. Mas neste, as nossas posições não são fixas, podendo ser cada um uma ponta, ou três ao mesmo tempo, ou nenhuma.  Outros também existiam e faziam de si partes desse triângulo – ele subsiste desde que o primeiro texto deu-se a ler e alguém o fez, algures. Somos nós, agora, a estar neste triângulo e, como em qualquer triângulo, compartilhamos a experiência do sagrado. Regozijamo-nos. Tu me dizes então, estupefato, que um texto deu-se a escrever. Invariavelmente.

Encarte publicado na Revista Gazua n°01, 2005, editada pelo Grupo Rasura: Diego Vinhas, Eduardo Jorge, Henrique Dídimo e Júlio Lira.

texto sobre si erica zingano encarte revista gazua 2005

Sobreimpressão Texto Sobre Si

marcas sobreimpressao texto sobre si erica zingano 2005

Convite do lançamento

revista gazua

Para ler mais sobre: O Pessoal do Ceará: a novíssima literatura cearense, por Ivaldo Ribeiro.

14/04/2008

Passa-Tempos

passa-tempos 1

Performance realizada na exposição coletiva  Labirinto da Arte e da Vida, organizada  por Andréa Havt Bindá, Eduardo Loureiro Jr. e Fabiano dos Santos no MAUC-CE, em 2003. A performance consistia em distribuir pequenos papéis/passatempos aos seus visitantes, visando dialogar com o universo lúdico da exposição.  A foto, ao lado, foi tirada pelo Eduardo Loureiro.

Ao todo, foram entregues 07 diferentes Passa-Tempos, mas todos continham a  mesma temática – sugerir diferentes posturas/posições em relação ao tempo:

  • adiante os ponteiros do relógio
  • vire de ponta cabeça
  • deixe o tempo para trás
  • coloque o relógio de ponta çabeça
  • feche os olhos e conte até o infinito
  • ande em círculos por horas a fio
  • conte as horas de trás para frente

14/04/2008

hier m’abandonne, pourquoi le retenir? (Li Po)

erica zingano sofi hemon paris 2004

Conheci a Sofi Hémon em 2001, quando traduzi, por conta da abertura de sua exposição, uma fala sobre seu trabalho “Cor de burro quando foge”, no Alpendre – Casa de Arte, Pesquisa e Produção, espaço alternativo de arte contemporânea na cidade de Fortaleza. Naquela época, o Alpendre possuía diferentes núcleos de trabalho e vários novos artistas da cidade freqüentavam o núcleo de artes visuais, coordenado pelo artista plástico Eduardo Frota, que organizava um interessante programa de exposições com vários artistas contemporâneos, por exemplo, Ricardo Basbaum, Lia Mena Barreto e Élida Tessler.

Sempre mantive contato com a Sofi pela internet e nos encontramos de novo em Paris em 2004. A partir disso, quando retornei ao Brasil, a correspondência tornou-se menos esporádica, e, em 2005, ela propôs que nossa correspondência servisse como démarche/processo para a realização de uma exposição nossa, na França, em 2006, pois a Sofi em conjunto com a Association Oulu-Huc, da qual fazia parte, estava concebendo uma série de exposições para o Centre Médical, em Mulhouse.

Dessa forma, em 2005, começamos o recto/verso, trocas de correspondências por email e caixas (caixa silêncio e caixa 22) e objetos, trazidos e levados por amigos. Propomos que, quando nos encontrássemos na França, já em 2006, iríamos repensar como expor essa intimidade da troca dos nossos cotidianos no centro médico. As nossas trocas também foram influenciadas por outros trabalhos que estávamos realizando na época, para outras exposições, mas, ao mesmo tempo, eu já tentava elaborar as questões que uma exposição neste tipo de espaço não convencional poderia trazer. Além, é claro, de refletir sobre a nossa distância territorial e a nossa diferença de idade.

Então, algumas imagens recto/verso e as próprias caixas são pontos de contato, aproximações e distâncias das nossas diferenças, desse longo processo das trocas dos nossos cotidianos. Já estando em Paris, nos encontrávamos em cafés, parques, museus e também no seu ateliê, para discutir e concebermos juntas a exposição e pensarmos de que forma ocuparíamos o centro médico. Nesse ínterim, realizei a performance pensée-blanche, que também pensava em realizar em Mulhouse, e fui adquirindo os materiais necessários para realizar os trabalhos lá, enquanto desenvolvia o material gráfico para a divulgação da exposição.

erica zingano fragmentos paris 2006


Como estava muito influenciada pela idéia de fragmento, porque estava estudando as escritas fragmentárias, pelo viés de Roland Barthes, achava que a exposição só poderia ser composta aos fragmentos. Como dar conta de todo um universo de trocas e intimidades senão fragmentariamente? Foi muito engraçado então, ao ir encontrar a Sofi no Centre George Pompidou,  assim que cheguei em Paris, e me deparar com esta janela no caminho!!!

Também, em voltas pelo Quartier Latin, me deparei com esse cartaz sobre o Mallarmé… Acho que, de certa forma, essas imagens, que me chamaram a atenção, acabaram por ser incorporadas na construção da exposição.

erica zingano mallarme paris 2006


Abaixo convite da exposição e divulgação eletrônica:

invitation hier mabandonne pourquoi le retenir erica zingano sofi hemon 2006
Cartaz de divulgação:
cartaz double jeu erica zingano sofi hemon mulhouse 2006

Acredito que, quando estamos muito concentrados em alguma coisa, nosso olhar fica canalizado e acabamos enxergando por todos os lados aquilo em que estamos pensando… Bem, essa é a minha teoria para explicar o acaso… Mas  deixando de fora minhas teorias absurdas para explicar o mundo, foi bem engraçado encontrar em Mulhouse, na rua em que eu passava todos os dias para ir de casa ao centro médico, esta caixa de fósforos de instantes!



instant mulhouse 2006


instant mulhouse 2006

Neste jogo de trocas duplo, entre mim e o outro, e pensando em como dar corpo à nossa intimidade, a exposição foi criada a partir de chaves que elegemos como possíveis entradas para esse nosso espaço. Elegi então 3 chaves de acesso, que antinham uma relação direta com as caixas que troquei com a Sofi e com a idéia que fazia dessa relação eu-outro. No site da Sofi, há mais fotos da exposição, além dos trabalhos que apresentou!

DOUBLE JE, mon JE(u) // DUPLO EU, MEU JOGO

(infelizmente, em português, é impossível reproduzir o trocadilho de JE e JEU, que, em francês, possuem praticamente o mesmo som)

3 lignes sur les travaux de l’exposition // 3 linhas sobre os trabalhos da exposição

1) les travaux/ objets: // 1) os trabalhos/ objetos:

JE EST UN AUTRE// 3 quadros transparentes, escrita em papel preto e carbono

je est un autre erica zingano mulhouse 2006

1.1) conception générale de l’exposition: // 1.1) concepção geral da exposição:

JE EST UN AUTRE // EU É UM OUTRO

2 papiers noirs/ 1 papier carbone noir/ performance-écriture // 2 papéis pretos / 1 papel carbono / performance-escrita

J’ écris sur un papier noir Je est un autre. // Eu escrevo sobre um papel negro Eu é um outro. Le carbone, qui est placé sous ce papier imprime sur l’autre feuille noire: Je est un autre. // O carbono, que está colocado embaixo deste papel, imprime sobre a outra folha: Eu é um outro. L’écriture traverse le noir à travers ce papier carbone, miroir dans lequel on ne se voit pas. // A escrita atravessa o preto através do papel carbono, espelho no qual não nos vemos. Cela est pour moi un geste symbolique du processus de toute l’exposition: // Isto é para mim um gesto simbólico do processo de toda a exposição: la rencontre obscure vers l’autre;// o encontro obscure em direção ao outro; l’écriture quotidienne/ répétition d’actions tous les jours;// a escrita cotodiana/ repetição de ações todos os dias;

le 3 comme JE TU NOUS;// o 3 como EU TU NÓS; le JE comme un inconnu de soi-même;// o EU como um desconhecido de si mesmo; le 3 comme un processus: écrire, passage, transcription de nos actions. // o 3 como um processo: escrita, passagem, transcrição das nossas ações.


silence erica zingano mulhouse 2006

1.2) présence/ absence des boîtes – objets qui font référence aux boîtes qui ont été envoyées // 1.2) presença/ ausência de caixas – objetos que fazem referência às caixas que foram enviadas

1°: la boîte SILÊNCIO (rapport ironique avec le centre médical) // 1ª: a caixa SILÊNCIO (relação irônica com o centro médico)

3 livres de Nathalie Sarraute, Silence, pièce de théâtre, effacés // 3 livros da Nathalie Sarraute, Silence, peça de teatro, apagados

Le seul mot qui n’a pas été effacé c’est le mot silence. // A única palavra que não foi apagada é a palavra silêncio.


silence erica zingano mulhouse 2006

silence erica zingano mulhouse 2006

silence erica zingano mulhouse 2006

2°: la boîte noire 22 (rapport avec la mort, absence d’image) // 2 ª: a caixa preta 22 (relação com a morte, ausência de imagem)

boite noire erica zingano mulhouse 2006 boite noire erica zingano mulhouse 2006

Performance à Mulhouse: je demande aux gens de la ville (lieu et horaire à définir) de me donner la description d’une image de la mort. Les personnes pourront écouter ces descriptions, qui ont un rapport avec l’intimité de l’autre, à l’ouverture de l’expo, avec l’appareil d’enregistrement. // Performance em Mulhouse: eu peço para as pessoas da cidade (lugar e horário a definir) para me darem a descrição de uma imagem da morte. As pessoas poderão escutar estas descrições, que têm uma relação com a intimidade do outro, na abertura da exposição, no gravador.

caixa preta // ao chegar na cidade e habitar momentaneamente o centro médico para a montagem da exposição, tive contato com um enfermeira que recentemente havia perdido seu marido. As conversas com ela me fizeram desistir de realizar este trabalho. Coloquei, desta forma, uma caixa preta, com o desenho de um tabuleiro. Em francês, a mesma palavra que nomeia o jogo de xadrez, échec, também significa fracasso.

boite noire erica zingano mulhouse 2006

1.3) Jeu de dardes / Tirer au hasard // 1.3) Jogo de dardos / Arremessar ao acaso

jeu de dardes erica zingano mulhouse 2006 jeu de dardes erica zingano mulhouse 2006

Jeu de dardes/ 1 seul darde rouge / Plusieurs fiches rouges // Jogo de dardos / Somente 1 dardo vermelho / Inúmeras fichas vermelhas

Jeu de soustraction ( moins un numéro) // Jogo de subtração
Notes sur la composition d’une oeuvre d’art, le jeu du hasard dans ce processus //
Notas sobre a composição de uma obra de arte, o jogo do acaso neste processo

Notes en double, écriture sur l’écriture: Mallarmé (Coup de dés) // Notas em dobro, escrita sobre escrita: Mallarmé (Lance de dados)

Como efetivamente não realizei nenhuma performance na cidade de Mulhouse,  pensei em fazer a performance que já havia realizado em Paris, pensée-blanche. No dia em que me programei para realizá-la, acabou chovendo. Na vernissage da exposição, então contei meu intuito:

“No dia 28 de março, dia da vernissage, chovia em Mulhouse. Devia estar chovendo também alhures, mas eu nada sabia sobre isso. Apesar da chuva que caía, eu saí de casa quinze para o meio-dia, para realisar 3 performances, sempre a mesma, mas em 3 diferentes lugares da cidade. Antes de sair, eu peguei os pensamentos brancos – pequenos papéis em branco que iria distribuir – e 3 guarda-chuvas coloridos: um vermelho, um azul e um preto.

Ao meio-dia, como eu tive sorte de sair cedo, eu pude estar em 3 lugares diferentes da cidade ao mesmo tempo. Por outro lado, para ser um pouco prática, eu tive que escolher um guarda-chuva para cada lugar. Não por acaso, mas por razões específicas, eu escolhi o vermelho para a rua dos selvagens, o azul para o mercado, e o preto para o hospital.

As performances ocorreram bem e as pessoas também reagiram bem: algumas riram, mas outras tinham problema para compreender para quê poderia servir este tipo de pensamento.  Do meu lado, a parte isto, foi um pouco difícil de manter à mão, sempre ao mesmo tempo, guarda-chuvas e papéis brancos.”

Abaixo, o material gráfico da publicação:

double jeu erica zingano sofi hemon mulhouse 2006

double jeu erica zingano sofi hemon mulhouse 2006

double jeu erica zingano sofi hemon mulhouse 2006

Depois da exposição, segui em viagem, para participar de outra mostra, VIZINHOS, em Viena. Como passaria por Praga, cidade com a qual Sofi mantém também uma relação de intimidade, e que eu iria, depois, também passar a ter, lhe perguntei: - Como habitar as cidades em passagens?

Dessa pergunta, surgiram indicações de percursos e ações a serem realizadas em lugares precisos em Praga. O retorno a Paris, nosso lugar de convergência, foi marcado por nosso reencontro com o leste e as possibilidades de habitarmos, sempre no provisório e com um olhar de intimidade, as passagens por cidades-sonhos, cidades-reais, cidades-estranhas, cidades…

como habitar uma cidade? erica zingano paris 2006

como habitar uma cidade? erica zingano paris 2006

Disso, surgiu a proposta de pensarmos Fortaleza, a partir de uma memória que ela tinha: a linha do ônibus Parangaba/Mucuripe. Desenrolar um fio, em outra ponta. Porém, assim que retornei ao Brasil, mudei-me para São Paulo, e Fortaleza, minha cidade natal, também passou a ser, para mim, um espaço da memória afetiva.

14/04/2008

para matar palavras

Rachid Ouramdane, bailarino francês/argelino da Association Fin Novembre, veio a Fortaleza realizar uma residência artística com artistas cearenses. A maioria das pessoas que participou da residência era bailarinos de fato, mas muitos artistas que trabalhavam com performance, englobando, de forma mais geral, a idéia de corpo-cênico/ presença-cênica também participaram desta vivência de 3 semanas. Acho que a arte contemporânea, nos seus processos de trocas de experiências, vivências e universos; é muito rica: a própria idéia de residência artística/ intercâmbio é super legal pra pensar as dinâmicas das realizações de trabalhos atualmente. O fim da residência culminou num “espetáculo” realizado no enorme Galpão Boca do Dragão, hoje atual SESC Praia de Iracema.


A partir da residência, desenvolvi o vídeo-performance para matar palavras. Pensando num texto da escritora Clarice Lispector, A quinta história, em que a narradora ensina uma fórmula para matar baratas, me aproprio da receita e refaço-a em vídeo, com o intuito de matar as palavras. A idéia, um tanto absurda do vídeo, toca em questões sobre o silêncio, os não-ditos, ou a vontade mesmo de apagar palavras, discursos, a vontade de se inscrever em silêncios, estados de mudez. Por isso, o vídeo foi todo concebido como um branco, um lapso, incorporando a brancura dos elementos empregados na receita.


Para matar palavras: misture em uma travessa relativamente grande 250g de farinha de trigo, 250g de açúcar refinado e 500g de gesso. Depois acrescente suavemente 500ml de água. Mexa os ingredientes durante alguns minutos até sentir que a massa tem uma boa consistência. Em seguida, acrescente mais 250g de farinha e açúcar, e, se ainda assim a massa não estiver suficientemente boa, acrescente mais 125g de farinha e 250g de gesso, além de 100ml de água. Mexa bem durante mais algum tempo e depois deixe a massa descansar por pouco tempo. Por fim, é só despejar a massa sobre as palavras.


Abaixo, alguns frames do vídeo:

para matar palavras erica zingano residencia artistica rachid ouramdane 2004para matar palavras erica zingano residencia artistica rachid ouramdane 2004

para matar palavras erica zingano residencia artistica rachid ouramdane 2004

14/04/2008

ctrl+c ctrl+v

salaodeabril 023

salaodeabril 030

salaodeabril 028

Escrita até o esgotamento sobre uma lousa verde (1 m X 0,8 m) dos atalhos da linguagem de computador ctrl+c ctrl+v (copiar/colar), durante a vernissage do 56° Salão de Abril. Seguindo na investigação das minhas linhas de pesquisa, em que trabalho com a performance e com a utilização de palavras/linguagem através deste meio, procuro estabelecer outras possibilidades de percepções para a escrita/linguagem e o corpo, repetindo incansavelmente o gesto de escrever e apagar.


Nesta performance, se parte do vazio, já que o gesto de escrever estes comandos não copia nem cola absolutamente nada, mas, e justamente por isso, reflete sobre nossas ações contemporâneas do cotidiano, não especificadas, mas exemplificadas através do gesto incisivo da escrita, que, por não definir, não fazer alusão ao que se copia e cola, permite as mais diversas associações.


O registro da performance foi feito por Isadora Pontes.


14/04/2008

Caleidoscorridores

Em parceria com o artista Eduardo Verderame que criou imagens caleidoscorridores, a partir da manipulação digital de fotografias, registros de viagens de espaços arquitetônicos, desenvolvi textos para pensar justamente essas imagens metamorfoseadas.


Esta manipulação cria lugares inimagináveis e impossíveis, em perspectivas diversas, tal um caleidoscópio, ainda mais quando pensadas para daialogarem com textos, já que a idéia da metamorfose é também potencializada, pois a textografia tenta (re)inventar estes lugares imaginários na escrita, abordando questões como distâncias/ espaços/ entre-lugares, causando uma estranheza ainda maior quando foi vertida para o italiano por Joaquim Albano.


Desenvolvemos este trabalho para uma exposição na Itália, a Mostra Omaggio al Brasile, em Viterbo, em 2002. Depois o Edu também fez um vídeo a partir das fotos e dos textos com Paulo Hartmann.


Fotografias digitais 0,45m x 0,20m

(imagens ev / textos ez):

caleidoscorridores erica zingano eduardo verderame omaggio al brasile 2002

caleidoscorridores erica zingano eduardo verderame omaggio al brasile 2002

caleidoscorridores erica zingano eduardo verderame omaggio al brasile 2002

caleidoscorridores erica zingano eduardo verderame omaggio al brasile 2002

caleidoscorridores erica zingano eduardo verderame omaggio al brasile 2002

caleidoscorridores erica zingano eduardo verderame omaggio al brasile 2002

Convite:

convite caleidoscorridores erica zingano eduardo verderame omaggio al brasile 2002

convite caleidoscorridores erica zingano eduardo verderame omaggio al brasile 2002

Disposição e montagem:

montagem caleidoscorridores erica zingano eduardo verderame omaggio al brasile 2002

montagem caleidoscorridores erica zingano eduardo verderame omaggio al brasile 2002

14/04/2008

FRASES-INSTANTES

da idéia/estratégia à realização:

frases-instantes erica zingano 54 salao de abril fort-ce 2003

Esta intervenção urbana foi fruto de muitas negociações burocráticas: pensando no Salão de Abril, como um salão de arte oficial e extremamente tradicional da cidade de Fortaleza, realizado pela prefeitura, a idéia era criar mecanismos que expandissem as fronteiras entre o espaço expositivo – Galeria Antônio Bandeira, no centro da cidade – e a própria cidade de Fortaleza, justamente para repensar a idéia de salão como uma prática moderna em contraposição a práticas contemporâneas. Sempre me intrigaram os luminosos de trânsito espalhados pela cidade, que, de certo, devem ter custado uma exorbitante fortuna orçamentária para os cofres públicos, aparentemente sem uma “verdadeira função social”. É fato que eles veiculam informações sobre o trânsito, e de alguma maneira são úteis, mas acreditava, na época, e ainda hoje,  que o potencial deles era sub-aproveitado.


Então, resolvi me utilizar do “respaldo” do Salão de Abril para realizar uma intervenção urbana nos luminosos de trânsito, negociando a veiculação de frases poéticas neste espaço, sob a jurisdição da CTAFOR, empresa responsável pelo controle do trânsito em Fortaleza. Escrevi inúmeros ofícios explicando o trabalho e conversei, em várias reuniões, com os diretores da CTAFOR, após o trabalho ter sido aceito para integrar o Salão. Estas negociações foram encabeçadas apenas por mim, já que os curadores do salão não me ajudaram como eu esperava que fossem me ajudar. Apesar do inesperado da proposta, os diretores da CTAFOR acharam interessante o projeto e conseguimos realizá-lo.


Inicialmente, ele deveria acontecer em todos os luminosos espalhados pela cidade, durante o tempo de exibição do Salão. Apesar das fatídicas estratégias de convencimento, achei interessante conversar com pessoas de outro universo e explicar a importância do trabalho, mesmo, por vezes, assumindo uma postura irreverente – uma performance, talvez?


Consegui realizá-lo apenas por uma noite e somente em um luminoso, localizado perto da Universidade Federal do Ceará, na Av. Treze de Maio. Contar aqui essas premissas iniciais, que rodeiam a realização do trabalho, é importante, porque acredito que o trabalho não foi apenas a exibição das frases, mas foi também toda a negociação que envolveu sua a realização. Todas as explicações, os ofícios enviados e a estratégia de convencimento serviram  para pensar a arte expandindo-se na cidade, intervindo, de fato, no espaço público.


da composição:

É certo que esse trabalho dialoga com as intervenções propostas pela artista Jenny Holzer, conhecida artista americana, famosa por trabalhos no espaço público. As fotos abaixo são de trabalhos da Jenny, em museus da Europa:

jenny holzer centre george pompidou paris 2006

jenny holzer mak wien 2006

Ele se origina a partir de percepções específicas do espaço urbano de Fortaleza, que, de qualquer modo, é como o espaço urbano de qualquer cidade de médio porte. Desenvolvi então 13 frases, que chamei de frases-instantes, para pensar a cidade e seus fluxos, suas velocidades, e possíveis percepções sobre este espaço urbano,  no qual estava cotidianamente inserida.


frases-instantes erica zingano 54 salao de abril fort-ce 2003


frases-instantes: reflexões sobre/ tempo/ espaço/

tempo: velocidade/ rapidez/ fluxo/ descontinuidade

espaço: urbano – cidade(s)/ fragmentação


frases-instantes erica zingano 54 salao de abril fort-ce 2003

Cada letreiro possui 32 espaços/dígitos, 16 em cada linha, sendo composto por apenas 2 linhas. Essa delimitação do suporte foi o pressuposto inicial da composição das frases: a organização espacial dos vocábulos no espaço, os arranjos sintáticos e a estrutura rítmica/ sonora de cada frase-instante. Também, na hora de criar as frases, parti de algumas referências/ percepções citadinas: revisitei o Régis Bonvincino (Não há saídas/ Só idas e avenidas), remontando sua frase, e um leitmotiv de Guimarães Rosa e seu Grande Sertão: veredas (à revelia).


Também pensei na dinâmica imposta pela direção: quando dirijo, e adoro o fazer, esta experiência é sempre para mim um espaço das abstrações, sempre pensadas a partir de imagens da cidade na qual circulo. Ao todo, foram criadas 13 frases – está faltando uma, que agora não me lembro qual era! :


TRANSITORIAMENTE

CIDADE À REVELIA


SAÍDAS NÃO HÁ, SÓ

IDAS E AVENIDAS


FURTIVOS OLHARES

MULTIPLICIDADES


DE FRETENIDOS SE

FAZ FUGAZ CIDADE


DE IMPRESSÕES SE

VÊ VELOZ CIDADE


DE INÚMEROS SONS

POLIKLAXONS


FRENÉTIDO FLUXO

FRIÁVEL CIDADE


OS TRANSAUSENTES

POR ENTRECARRAM


RELUZES MATIZES

LUMINOCIDADES


PASSOS PERPASSAM

ESCASSOS ESPAÇOS


SOB O AR, CINÉREA

FULIGEM FURTACOR


CALHAIS CALCADOS

CALÇADOS CARROS


frases-instantes erica zingano 54 salao de abril fort-ce 2003



Para divulgar a intervenção, foi publicado no jornal O POVO, no dia em que acontecera, uma nota no caderno de cultura Vida e Arte. Como a exibição acontecera próximo à Universidade e dos bares que a circudam, havia um público que pode acompanhar no momento em que as frases eram veiculadas.


Foi inclusive engraçado, porque tinham uns amigos do PSTU que não sabiam que eu estava fazendo este trabalho e começaram a especular sobre uma possível “infiltração” no sistema de informações da Prefeitura, qual uma hacker! Devo agradecer enormemente aos amigos Enrico Rocha, Waléria Américo e Mariana Smith que registraram a intervenção em fotografias. Posteriormente, em 2005, as fotos foram projetadas num dos galpões que circundam o Mercado do Pinhões, em Fortaleza-CE, durante o evento deVERcidade, organizado pelo iFoto.

frases-instantes erica zingano 54 salao de abril fort-ce 2003

frases-instantes erica zingano 54 salao de abril fort-ce 2003

frases-instantes erica zingano 54 salao de abril fort-ce 2003

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frases-instantes erica zingano 54 salao de abril fort-ce 2003

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14/04/2008

ESPECULAÇÕES SOBRE O AMOR

Esta instalação dialoga muito com  A C A S O, um trabalho anterior, que tinha feito em São Paulo, um ano antes. Pensando nas continuidades, este trabalho expande, literalmente, porque numa escala muito maior, as relações entre espaço/ palavras/ percepções/ jogos. O trabalho surgiu como uma idéia do duplo, como uma imposição do espaço – que se divide em dois. Especular vem do latim speculum, que em italiano remete de súbito à specchio, espelho. Talvez por isso o trabalho se configure nessas inversões e duplicações. Também o amor, nisso, como um pressuposto do duplo, sendo o outro reflexo, projeção, desejo.


Foi muito interessante participar da exposição Experimental II, sob a curadoria da Luiza Interlenghi, que foi a primeira curadora do Museu de Arte Contemporânea a trazer os artistas jovens para expor nesse espaço. Pela feitura do trabalho, devo agradecer enormemente à Cecília Bedê, que, junto comigo, cortou as mais de 500 letras que compõem o texto em e.v.a. branco. Também agradeço pela ajuda das amigas Mariana Smith e Waléria Américo, que, se não fosse pela força que me deram durante a montagem até altas madrugada, o trabalho não teria sido exposto. 


Fotos da feitura e da montagem por Waléria Américo e Murilo Maia:

especulacoes sobre o amor erica zingano experimental II mac-ce 2003

especulacoes sobre o amor erica zingano experimental II mac-ce 2003

especulacoes sobre o amor erica zingano experimental II mac-ce 2003

especulacoes sobre o amor erica zingano experimental II mac-ce 2003

especulacoes sobre o amor erica zingano experimental II mac-ce 2003

especulacoes sobre o amor erica zingano experimental II mac-ce 2003

especulacoes sobre o amor erica zingano experimental II mac-ce 2003

especulacoes sobre o amor erica zingano experimental II mac-ce 2003

especulacoes sobre o amor erica zingano experimental II mac-ce 2003

especulacoes sobre o amor erica zingano experimental II mac-ce 2003

especulacoes sobre o amor erica zingano experimental II mac-ce 2003

14/04/2008

S.I.G.L.A.S.

O artista carioca Jorge Emmanuel, a partir de um patrocínio da Bolsa RioArte, desenvolveu o projeto Faixas – Etc, para o qual convidou inúmeros artistas para desenvolver intervenções urbanas na estrada da Serra da Grota Funda, no Rio de Janeiro.


Pensei então em criar placas de trânsito vermelhas, com palavras/ siglas que não significassem absolutamente nada. A estrada em que as placas seriam colocadas é também o caminho para uma base militar, o que torna o estranhamento das siglas em vermelho mais interessante.


Para mim era muito clara a idéia de concisão, porque o fluxo é muito intenso e rápido, fugaz. Pensava então em desenvolver um trabalho que pudesse ser visto muito rapidamente. A idéia das siglas sem significado me fazia pensar na criação de um não lugar, fora do espaço-tempo em que estávamos inseridos, já que a função das placas numa estrada é sinalizar, explicitar, esclarecer, e as minhas placas/siglas simplesmente não remetiam para nada.


S.I.G.L.A.S. erica zingano serra da grota funda-rj 2005

do projeto S.I.G.L.A.S.

para apreciar a paisagem – intervenção: uma primeira idéia, siglas. porque fluxo, passagem, trânsito – lugar de. (nada que precisasse de mais do que um segundo para ser visto, ou nem.) por sua própria natureza formal: redução enunciado, síntese idéia, ausência referente – outro lugar? (estranhamento natural de quem vê de relance, algo que não está ali.) talvez algo de político, para quem achar que sim – próximo a uma base militar.

(do discurso redundante – o que uma sigla é em si, ou da sua natureza:

espécie de ABREVIATURA formada de INICIAIS OU PRIMEIRAS SÍLABAS DE UMA EXPRESSÃO que REPRESENTA NOME de INSTITUIÇÃO ou ENTIDADE COMERCIAL, INDUSTRIAL, ADMINISTRATIVA ou ESPORTIVA; SINAL CONVENCIONAL, MARCA; SINAL REPRESENTATIVO de CORPORAÇÃO, FIRMA, PROFISSÃO etc.

(do trabalho com as idéias – concepção siglada, em emails:

ocupação: a serra (estrada) deve ter uns 2 kms ou um pouco mais; um de subida outro de descida; dos dois lados há vista, uma voltada para a baixada de Guaratiba outra para o Recreio/Barra; a movimentação é intensa; calcula-se uns cinqüenta mil veículos diários e o pique é das 7 as 9 e depois das 18 as 20 aprox. há muitos ônibus, muito cheios (lotados) …

não necessariamente comunicar algo com uma frase inteira, mas inserir letras e pontos que à primeira vista não tem nenhum sentido, causar um estranhamento, de algo que não se deixa significar, pois aparentemente não significa

placas vermelhas com letras que brilham qd rebate luz

criando as siglas, pensando possibilidades de letras/frases incógnitas – nada que traga uma associação sonora como o trabalho de duchamp – penso em três placas, em pares, cada par um do lado do outro, como se a mesma sigla apontasse para direções opostas

algumas possibilidades de siglas

R.P.Q.O.S. / L.I.P.C.F. / T.V.E.X.Z. /U.N.Z.R.F. / A.P.E.N.B. / S.J.A.P.D.

jpg 5

14/04/2008

pensée-blanche

Talvez nada precisasse ser dito, já que é para o branco que pende o pensamento – agora.


pensee-blanche erica zingano paris 2006

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pensee-blanche erica zingano paris 2006

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do lugar: Place St. Michel

ponto de fluxo: dois sinais de pedestre, saídas de metro fluxo/ passagem; ponto de encontro/ tempo em suspensão: pessoas esperam por outras pessoas;

ponto de venda: jovens vendem H.Q.s e outras publicações independentes.

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place st michel paris
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place st michel paris

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da performance:

distribuição de papéis brancos/ papéis em branco

intervenção no tempo cotidiano das pessoas –um lapso, “deu branco”.

pausa/ lacuna/brecha:  deu branco


A performance consistia na distribuição de papéis em branco para as pessoas que estavam passando na praça, que fica perto do Sena, no Boulevard St.Michel, no Quartier Latin, famoso pela concentração de cafés, livrarias, teatros, universidades. Bem, mas escolhi essa praça pelo seu fluxo, pois há uma estação de metro que faz conexão com o RER, passagem constante de pedestres com intenso movimento – uma escolha previsível para um turista, me disse Sofi, depois.


De qualquer forma, foi uma escolha engraçada, porque Paris estava ensandecido com a confusão da CPE…, e muitas pessoas me perguntaram, quando lhes entregava os papéis em branco, se eu fazia parte do movimento estudantil. Eu respondia apenas, reiterando a frase de abordagem: pensée-blanche.

O mais legal em fazer esse tipo de trabalho é observar a reação das pessoas e ver como se comportam frente ao inesperado. Durante o tempo da performance, muitas pessoas a achavam engraçada, outras me ignoravam, outras ainda queriam continuar conversando. Lembro que um judeu me deu um outro papel, com uma palavra escrita em hebraico,  que remetia à mesma idéia do pensamento em branco. As fotos da performance foram tiradas por Armando Menicacci.


pensee-blanche erica zingano paris 2006

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14/04/2008

entregando os pontos

O universo mínimo dos pontos sempre me fascinou. A idéia de que tudo surge a partir de um único ponto – elemento fundamental do desenho – me faz pensar muito sobre as questões que envolvem o átomo, o universo, mesmo a questões em torno da idéia de unidade são interessantíssimas. Também acho curiosas as expressões em que a palavra ponto é utilizada, como por exemplo: passa-se o ponto e entregando os pontos. Foi a partir dessa curiosidade, que a performance surgiu.


Durante a exposição na Base Plural, eu entregava, literalmente, os pontos aos expectadores no espaço expositivo: “- Estou entregando os pontos”. Os pontos/pretos que eu entregava eram auto-adesivos e os expectadores podiam colá-los onde quisessem, criando no espaço uma geografia própria, aleatória, imprevisível. Acho que apesar da simplicidade do trabalho – muitos dos meus trabalhos trabalham com essa idéia – ele toca numa questão muito cara: quando eu não decido mais na finalização do trabalho, quando eu entrego para o outro/espectador a possibilidade de realizar junto o trabalho, quando eu, artista, não posso mais, entrego, pois, os pontos.


Realizei esta performance no espaço/ ateliê/ base da Transição Listrada (Renan Costa Lima, Rodrigo Costa Lima e Vitor César), quando eles o inauguraram em Fortaleza. Acredito que a liberdade que o espaço oferecia à experimentação, possibilitou a realização do trabalho. Depois, doei esta performance num evento de arte no Alpendre: Casa de Arte, Pesquisa e Produção.


entregando os pontos erica zingano base plural-ce 2004

pon.to

s. m. 1. Furo feito num tecido com agulha enfiada de linha, retrós etc., para coser.

2. Pedaço de linha compreendido entre dois furos da agulha no pano costurado.

3. Geom. Elemento geométrico considerado sem dimensões, apenas com posição.

4. Gram. Ponto final.

5. Ort. Sinal gráfico que se coloca sobre o i e sobre o j (minúsculos).

6. Bocadinho de adesivo que se aplica sobre uma ferida para unir a pele e estancar o sangue.

7. Menor unidade tipográfica equivalente a 0,3759 mm.

8. Renda feita com agulha.

9. Valor convencional que se atribui às cartas do baralho em certos jogos.

10. Náut. Cálculo de latitude e de longitude que determina o lugar do globo em que se acha o navio.

11. Mús. Sinal que, colocado depois de uma nota, aumenta metade do seu valor.

12. Unidade de contagem em certos jogos, ou na avaliação do merecimento, entre várias pessoas que pretendem cargos ou situações.

13. Cada uma das pintas das cartas de jogar e das faces dos dados.

14. Cada um dos jogadores que apontam em certos jogos de azar.

15. Fim, termo.

16. Lugar, sítio fixo e determinado.

17. Cada uma das partes em que é dividida uma matéria de programa escolar.

18. Detalhe ou particularidade.

19. Matéria em discussão; assunto, questão.

20. Matéria de exame ou concurso tirada à sorte.

21. Questão ou assunto que carece ser esclarecido; dúvida.

22. Altura ou andamento de um negócio; momento, instante.

23. Grau de consistência que se dá à calda de açúcar e a certos doces.

24. Situação, estado, grau: P. de saturação.

25. Livro em que se marcam a entrada e a saída dos empregados e operários, nas fábricas, repartições etc.

26. Pessoa que nos teatros diz as peças em voz baixa aos atores para não se enganarem durante a representação.

P. culminante: a) zênite; b) ponto mais elevado em relação a outros; c) o mais alto grau; auge.

P. de admiração: sinal de pontuação (!) usado após uma interjeição ou uma frase exclamativa; ponto de exclamação.

P. de exclamação: ponto de admiração.

P. de interrogação: sinal de pontuação (?) que se coloca no fim de uma oração para indicar pergunta direta.

P. de vista: a) aquele que o pintor escolha para pôr em perspectiva os objetos; b) lugar alto, de onde se descortina um largo horizonte; c) modo de considerar ou de entender um assunto ou uma questão.

P.-e-vírgula: sinal de pontuação que indica pausa mais forte que a vírgula e menos que o ponto final; indica separação de orações absolutas que têm certa extensão, sobretudo se tais orações possuem partes já separadas por vírgula.

P. final: a) sinal de pontuação (.) que fecha o período; b) Fig.: termo, fim.

P. pacífico: aspecto de uma questão sobre o qual não há controvérsia ou discordância.

Não dar p. sem nó: não fazer nada sem interesse; ser interesseiro.

Pôr os p. nos ii: dizer tudo claramente, sem omitir nomes ou particularidades.

P. por p.: minuciosamente.