Este trabalho surgiu a partir de uma viagem que fiz com o Eduardo para as 7 cidades, no Piauí. Na época, o Edu tinha um livro infame sobre a possibilidade da presença Viking no Piauí, há muito tempo atrás, quando por lá o sertão era mar! Não consigo conter as risadas, sempre que penso nisso… Nossas viagens absurdas também não pararam por aí, fomos depois até o Quixeramobim “investigar” outras escrituras rupestres… Dessa vez, não fomos ao Quixadá, onde também valeria a pena “investigar” sobre a presença dos óvnis nas rochas mágicas que estão no sertão central do Ceará!
O trabalho surgiu então da experiência dessa viagem e o Edu propôs que ocupássemos a parede laranja do Alpendre – Casa de Arte, Pesquisa e Produção; com uma instalação em vinil auto-adesivo, material que usa sempre, e que junto criássemos um texto, falando das escrituras rupestres… Me senti meio Jorge Luís Borges, ao inventar cientificidades absurdas. No final, acho que o trabalho ficou bem legal, o vinil prata, brilhante, meio lunar, na parede laranja, e um texto completamente absurdo! Abaixo, para a felicidade geral da comunidade Viking na América, é possível ler o texto que criamos! (Mais risadas infames!)
Para ler sobre outros desarranjos na comunidade científica: efeito sokal
Archeoglifos: controvérsias na comunidade científica
Fonte: Agência Nacional Internacional, 16/06/03.
A comunidade científica mundial foi surpreendida por uma descoberta
que altera de modo significativo os rumos da antropologia
pré-histórica. Nos arredores de Nova Grijós (TO), foi encontrado um
sítio arqueológico não apenas com vestígios materiais que comprovam a
ocupação da região por um antigo aldeamento, mas também com um dos
painéis de arte rupestre mais bem preservados a céu aberto das
Américas. Os archeoglifos descobertos por nativos no início do ano,
próximo à Cachoeira dos Milagres, atraíram a atenção de renomados
pesquisadores de todo o mundo, empenhados em desvendar o significado
das misteriosas inscrições na pedra.
O Dr. Hans Hartmann, da Universidade da Mogúncia Oriental, atribui
categoricamente as inscrições à civilização Viking que supostamente
teria habitado o norte e nordeste brasileiros 500 anos antes da
ocupação portuguesa do continente.
O estudo deste célebre autor bávaro afirma que as pinturas pertencem à
diversos períodos, podendo ser divididas em três fases distintas. A
primeira delas, de pinturas dos próprios Vikings; a segunda, de
nativos que foram influenciados diretamente por eles; e a terceira, de
povos selvagens que apenas imitavam os grafismos, sem deles depreender
nenhum sentido. O doutor também interpretou os archeoglifos como se
fossem símbolos rúnicos numa tentativa primitiva de poesia, que
“traduzem a angústia Viking diante da idéia do lar distante e dos
fugazes acontecimentos da existência”:
” Rastro aqui.
Pata? Nada.
Ali perna pegada.
Resto? Pé aqui.
Ali cavalo perto.
Cavalo cavado.
Perna perna perna?
Aqui ali além.”
Já para a Doutora em Arqueologia da Universidade de Val-de-Cães,
Mercedes Valentine, os archeoglifos são a representação do Cosmos
Universal. “Sem sombra de dúvidas, as pinturas estão intimamente
relacionadas aos trânsitos planetários, pois, como podemos perceber, o
Deus-Sol é o ordenador celestial, responsável por todos os ciclos que
ocorrem na Terra e a Deusa-Lua é a responsável pelas mudanças desses
ciclos, sendo ainda esses grafismos associados aos princípios
masculino e feminino, relacionados respectivamente ao Deus-Sol e à
Deusa-Lua”.
A Dra. Valentine ainda vai além quando diz que os grafismos fazem
parte de um complexo Tratado Astronômico, uma vez que, quando
analisados como um todo, implicam numa superabundância de realidade,
ou por outras palavras, numa irrupção do sagrado no mundo. Segue-se
daí que toda construção ou fabricação tenha como modelo exemplar a
cosmogonia, pois alguns pontos específicos do painel trazem formações
estelares específicas do Cosmos de 15.000 anos atrás, bem como Júpiter
representado pelo “homem pássaro voador ancestral” e Mercúrio pelo
“veado da planície”.
Outra versão que explica o extraordinário painel de pinturas rupestres
é a do investigador diletante Leôncio Ferrari, para o qual não existe
uma interpretação possível para os archeoglifos. “Qualquer leitura a
respeito das pinturas depende de uma análise mais detalhada da
estratificação do terreno, não se limitando apenas às evidências na
pedra. Portanto, só posso declarar por hora que as inscrições seguem o
padrão já conhecido de outras itacoatiaras do território brasileiro,
sendo divididas em motivos do próprio cotidiano da civilização que
habitou a região e motivos geométricos mais abstratos, sendo os
primeiros mais antigos e os últimos mais recentes”. O painel seria, de
acordo com o estudioso, puro reflexo do “instinto proto-humano”, como
ele mesmo afirma.
Longe de se existir um consenso nas interpretações dos especialistas
internacionais, a descoberta de Nova Grijós ainda renderá inúmeras
discussões sobre a origem do homem na América.












1 Comentário
10/11/2009 às 3:56 pm
Boa Tarde!
Eu tenho umas fotografias com máquina analógica ainda de umas escrituras rupestres aqui da minha região!
Tem desenhos muito interessantes, algo que lembra mapas ou regiões, e apesarem de já terem sido alvo de programas e jornais pelo país falta observações culturais e ainda proteção direta a esses patrimonios historicos!
Abç!
Wesley Campos Machado
Costa Rica – MS