Desenhos - escrita: palavras e números e setas e infinitos, retoma a idéia de espaço labiríntico – a partir do conto homônimo do escritor Jorge Luís Borges; recriando, no espaço expositivo, através da disposição e da montagem em superfícies suspensas (1,5m X 0,95m), diferentes possibilidades para uma escrita poética. Este trabalho foi concebido especialmente para a Sala de Vidros do Espaço Cultural do CEFET- CE, em 2002.
Fotos: Waléria Américo

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01. Escrita de palavras em Labirinto:
02. Percebo e sinto uma certeza visível e legível que entre as palavras e a matéria (ou suporte) há mais do que apoio ou necessidade para que cada um seja e esteja.
03. As dobras fazem parte do desdobramento da palavra, suas inclinações/ derivações, para que vejamos como elas podem se equilibrar nos precipícios e quedas com que se integram nas minúsculas, humilde com que hierarquizam, sem vaidade de sobreposições: é a espera do leitor.
04. Imagens físicas e imagens mentais agora feitas palavras; são palavras a evocar impressões que rápidas deixam um travo, uma “aspereza”, alguns toques de precisos vocábulos em versos – estrofes que dizem apenas o que eles conseguem registrar.
05. Na linguagem de linguagens, de poetas e poetas, com palavras ou titãs, a presença de uma leitora que não se conformou com a contemplação, com a respeitosa admiração e que, à maneira de Mme.Stäel, resolveu tentar a experiência decisiva: com quantas letras, com quantas palavras, com quantas texturas, com transparências e opacidades, para que o vermelho e o azul rasguem a inércia.
06. Vale o esforço, a ousadia de criar, entre aqueles que continuam a lutar na “rotação dos signos”.
07. Para tudo isto juntarem-se alinhavos, o que sem dúvida, lembra os pontos, a linha rústica, ainda com o cheiro dos carneiros, que cedem sua vestimenta de lã, para tecerem-se cordões, faixas, com que se fechavam os livros, os códices. Guardem-se com cuidado as texturas, seus odores, pois os tempos são de desumanismo. Salvos estão os que poetam.
Texto escrito para a exposição por Odalice de Castro e Silva, Profa. Dra. de Teoria da Literatura e Literatura Comparada da Universidade Federal do Ceará: leitora de poetas, romancistas, construtores com palavras, reumanizadores dos tempos.














