exposição projeto parede

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2003 / escrita-instalação / projeto parede / alpendre – casa de arte, pesquisa e produção / fortaleza – ce

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este trabalho surgiu a partir de uma viagem com eduardo para as 7 cidades, no piauí. na época, o edu tinha um livro infame que especulava sobre a possibilidade da presença viking naquela região, há muito tempo, quando por lá o sertão ainda era mar! não consigo conter as risadas sempre que penso nisso… as viagens de investigação também não pararam por aí, fomos depois até quixeramobim observar outras escrituras rupestres… dessa vez não fomos a quixadá, onde também valeria a pena pesquisar sobre a presença dos óvnis nas rochas mágicas no sertão central do ceará!

o trabalho foi feito a partir da experiência dessa viagem e o edu propôs que ocupássemos a parede laranja do alpendre – casa de arte, pesquisa e produção com uma instalação em vinil auto-adesivo, material que sempre usa em seus trabalhos, unindo desenhos e texto, elaborado em conjunto.

para ler sobre outros desarranjos na comunidade científica: efeito sokal

 

Archeoglifos: controvérsias na comunidade científica

Fonte: Agência Nacional Internacional, 16/06/03.

A comunidade científica mundial foi surpreendida por uma descoberta que altera de modo significativo os rumos da antropologia pré-histórica. Nos arredores de Nova Grijós (TO), foi encontrado um sítio arqueológico não apenas com vestígios materiais que comprovam a ocupação da região por um antigo aldeamento, mas também com um dos painéis de arte rupestre mais bem preservados a céu aberto das Américas. Os archeoglifos descobertos por nativos no início do ano, próximo à Cachoeira dos Milagres, atraíram a atenção de renomados pesquisadores de todo o mundo, empenhados em desvendar o significadodas misteriosas inscrições na pedra.

O Dr. Hans Hartmann, da Universidade da Mogúncia Oriental, atribui categoricamente as inscrições à civilização Viking que supostamente teria habitado o norte e nordeste brasileiros 500 anos antes da ocupação portuguesa do continente. O estudo deste célebre autor bávaro afirma que as pinturas pertencem à diversos períodos, podendo ser divididas em três fases distintas. A primeira delas, de pinturas dos próprios Vikings; a segunda, de nativos que foram influenciados diretamente por eles; e a terceira, de povos selvagens que apenas imitavam os grafismos, sem deles depreender nenhum sentido. O doutor também interpretou os archeoglifos como se fossem símbolos rúnicos numa tentativa primitiva de poesia, que “traduzem a angústia Viking diante da idéia do lar distante e dos fugazes acontecimentos da existência”:

” Rastro aqui.

Pata? Nada.

Ali perna pegada.

Resto? Pé aqui.

Ali cavalo perto.

Cavalo cavado.

Perna perna perna?

Aqui ali além.”

Já para a Doutora em Arqueologia da Universidade de Val-de-Cães, Mercedes Valentine, os archeoglifos são a representação do Cosmos Universal. “Sem sombra de dúvidas, as pinturas estão intimamente relacionadas aos trânsitos planetários, pois, como podemos perceber, o Deus-Sol é o ordenador celestial, responsável por todos os ciclos que ocorrem na Terra e a Deusa-Lua é a responsável pelas mudanças desses ciclos, sendo ainda esses grafismos associados aos princípios masculino e feminino, relacionados respectivamente ao Deus-Sol e à Deusa-Lua”. A Dra. Valentine ainda vai além quando diz que os grafismos fazem parte de um complexo Tratado Astronômico, uma vez que, quando analisados como um todo, implicam numa superabundância de realidade, ou por outras palavras, numa irrupção do sagrado no mundo. Segue-se daí que toda construção ou fabricação tenha como modelo exemplar a cosmogonia, pois alguns pontos específicos do painel trazem formações estelares específicas do Cosmos de 15.000 anos atrás, bem como Júpiter representado pelo “homem pássaro voador ancestral” e Mercúrio pelo “veado da planície”.

Outra versão que explica o extraordinário painel de pinturas rupestres é a do investigador diletante Leôncio Ferrari, para o qual não existe uma interpretação possível para os archeoglifos. “Qualquer leitura a respeito das pinturas depende de uma análise mais detalhada da estratificação do terreno, não se limitando apenas às evidências na pedra. Portanto, só posso declarar por hora que as inscrições seguem o padrão já conhecido de outras itacoatiaras do território brasileiro, sendo divididas em motivos do próprio cotidiano da civilização que habitou a região e motivos geométricos mais abstratos, sendo os primeiros mais antigos e os últimos mais recentes”. O painel seria, de acordo com o estudioso, puro reflexo do “instinto proto-humano”, como ele mesmo afirma.

Longe de se existir um consenso nas interpretações dos especialistas internacionais, a descoberta de Nova Grijós ainda renderá inúmeras discussões sobre a origem do homem na América.

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