exposição l o l i g o ® (2011)

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sobre loligo® | à propos de loligo®

“Em 2010, Sofi Hémon criou [http://www.sofihemon.net/] uma marca registrada: loligo®. loligo® acolhe uma produção de obras de artista, obras compostas e obras de colaboração. Os projetos que se desenvolvem com a sua marca e a realização deles são de responsabilidade dos artistas que se engajam com loligo®. loligo® acolhe múltiplos, protótipos e experimentações. loligo® pode organizar com artistas pequenos eventos e períodos de pesquisa no ateliê de Sofi Hémon. loligo® tem um site: [http://www.loligo.tm.fr/].”

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« En 2010, Sofi Hémon [http://www.sofihemon.net/] a crée une marque INPI : loligo®. loligo® abrite une production d’œuvres d’artiste,  d’œuvres composites et d’œuvres de collaboration. Les projets qui s’y développent et leur réalisation sont de la responsabilité des artistes qui s’y engagent. loligo® accueille des multiples, des prototypes et des expérimentations. loligo® peut organiser avec les artistes des micro évènements et des temps de recherche dans l’atelier de Sofi Hémon. loligo® a un site :  [http://www.loligo.tm.fr/]. »

programação | programme

[http://www.loligo.tm.fr/]

projetos -> 2011 -> eventos -> outubro 2011

projets -> 2011 -> evènements -> octobre 2011

imagens da exposição | aperçu de l’exposition [http://webmastersite.perso.neuf.fr/loligo-evenementOctobre2011appercu.htm]

+ surtout des vagues | sobretudo ondas [http://webmastersite.perso.neuf.fr/loligo-EZtexte2voix2011.htm]

+ projeto EU | projet JE  [http://webmastersite.perso.neuf.fr/loligo-presentationZinganoProjetoEU.htm]

outros trabalhos ez | d’autres travaux ez  [http://webmastersite.perso.neuf.fr/loligo-materialSimages.pdf]

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2011 / texto-instalação (envio sobretudo ondas | envoi surtout des vagues) / loligo® / ateliê sofi hémon / morangis – fr

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2 ou 3 coisas para loligo® – caixa, varal, cadernos | 2 ou 3 choses pour loligo® – boîte, étendoir, cahiers

“ménager la chèvre et le chou avec le rouge à lèvres pour délivrer les lièvres, même” ou
a caixa transparente


a instalação:

1 texto-tempo, impresso em 71 pgs. (folhas transparentes), sobrepostas, dentro de uma caixa de acrílico transparente, colocada sobre uma mesa branca, em frente a uma estrutura semelhante a um varal de +-6m.

1 texto-espaço, impresso em 76 pgs. (folhas transparentes), esticadas em uma estrutura semelhente a uma varal de +-6m.

ao lado da estrutura semelhante a um varal, 1 texto-tempo, impresso de forma integral (um bloco de texto preenchendo 1 foha A4), emoldurado em um quadro branco; e 1 texto-espaço, também impresso de forma integral (um bloco de texto preenchendo 1 foha A4), emoldurado em um quadro preto.

um pouco a frente dos textos emoldurados, havia uma mesa branca com 2 cadernos (caderno-tempo, com espiral branca, e um caderno-espaço, com espiral preta), que podiam ser manuseados (com luvas) pelos expectadores. os cadernos (impressos em papel vegetal), ofereciam uma experiência diferente para observar/ler o mesmo texto que estava disposto na caixa transparente e na estrutura semelhante a um varal. havia bancos coloridos onde eles podiam sentar-se para consultar os cadernos.

(texto para venda no período da exposição, numerados e assinados, impresso frente e verso, mas invertido, e a nu )

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texto folha de sala (caderno de consulta)

uma caixa transparente e um varal: qual ponto eles podem haver em comum? aparentemente nenhum, mas se eu crio uma intercessão entre eles – textos impressos em folhas transparentes, dispondo as folhas no espaço de duas maneiras diferentes, uma por sobre a outra, dentro da caixa transparente e muitas outras esticadas no varal – eles podem vir a ter uma relação.

a caixa e o varal são como uma estrutura, dividida em duas partes, uma em cima e outra em baixo, mesmo estando divididos no espaço eles não deixam de ser uma estrutura, nos lembrando que as peças, às vezes, não são fixas. eles são uma coisa só e com o espaço, que os recebe e integra, ulálá, vocês não podem imaginar: a caixa + o varal + o espaço + o corpo de quem atravessa = isso pode dar em alguma coisa!

vocês podem percorrer o eixo vertical da caixa e o horizontal do varal para ver a energia que esses movimentos geram, porque a caixa e o varal juntos formam uma espécie de máquina. sem ninguém no interior, a máquina “gira” silenciosa, em voz baixa: é de vocês o papel de entrar, atravessar o espaço, colocá-la em circulação, ativar suas articulações, por um movimento físico e também mental, para finalmente provar, beber e aproveitar o suco de linguagem que ela produz, gozando a leitura, ad libitum. se vocês acreditam que a leitura em voz alta é uma das maneiras de colocá-la em funcionamento, não hesitem, coragem meus pequenuchos!

é claro que é uma máquina para o prazer, capaz de atrair o desejo, de provocar os sentidos e o corpo, tentando  apanhar a língua e suas variações flexíveis demais, mas, não esqueçam, é para fazer exercício, então, não é proibido transpirar, e pelo cérebro também! vamos! mais rápido ou lentamente, são vocês quem decidem a sua velocidade e controlam o ritmo!

em um determinado momento, se vocês me perguntassem “mas duchamp e mallarmé e etc. etc.”, eu digo sim, sim, mas, bem, todo mundo tem direito de rir de uma piada!

(uma versão em francês desse texto, impressa na folha de sala (caderno de consulta), também está disponível nesse link: [http://webmastersite.perso.neuf.fr/loligo-presentationZinganoBoite.htm]).

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abrindo (ainda mais) a instalação

o procedimento de composição:

criei dois textos, que chamei de texto-tempo e texto-espaço. eu queria que ambos fossem semelhantes na forma, assim, fiz com que tivessem a mesma margem e a mesma quantidade de linhas (51 ao todo), preenchendo o espaço de 1 folha A4, dando-nos a impressão de serem um bloco de texto impenetrável. apesar de possuirem a mesma forma (1 folha A4), o conteúdo de cada um não era o mesmo (por isso, os chamei, generalizando, de texto-tempo e de texto-espaço), e eu queria que eles ocupassem o espaço expositivo de maneira distinta (então, coloquei as folhas do texto-tempo em uma caixa transparente e, na estrutura semelhante a um varal, estiquei as folhas do texto-espaço).

para imprimir cada texto nas folhas transparentes, eu inventei uma espécie de regra: eu dividi os textos em frases, por exemplo, o texto-tempo possuia 256 frases e o texto-espaço 266. depois disso, eu recombinei as frases entre si, quebrando o texto de origem em pedaços, gerando muitos outros pequenos textos (impressos nas folhas transparentes). cada frase mantinha a sua posição do texto de origem (do texto-tempo e do texto-espaço), mas como as frases foram recombinadas umas com as outras, perdiam o sentido primeiro, um sentido lógico que aparentemente poderia haver pelo encadeamento linear da prosa.

com as imagens abaixo, talvez fique mais claro, ou não. todas estas imagens são do texto-tempo, mas, como os mesmos procedimentos foram usados no texto-espaço, preferi demonstrar apenas com um texto (para não ficar mais confuso do que parece) como fiz para fragmentar os textos.

1º passo:

dividi cada texto em frases. as barras ( / ) correspondem ao término de cada frase e os números, em cima de cada uma delas, à sua respectiva numeração. os números do lado esquerdo do texto enumeram a quantitade de linhas do texto-tempo:

ao todo: 51 linhas e 256 frases.

2º passo:

a partir do número de frases, eu tive que pensar em quantas pgs. (folhas transparentes) seriam necessárias para imprimir o texto de forma fragmentária. por isso, criei grupos de 7, 6, 5, 4, 3, 2 e 1 frases. e, em seguida, estipulei uma certa quantidade de frases para cada grupo. por exemplo, 5 pgs. com 7 frases = 35 frases etc., como mostra a imagem abaixo:

a escolha na divisão da quantidade de pgs. (folhas transparentes) e de frases não obedeceu a nenhuma lei obscura dos números, apenas realizei a separação pensando em múltiplos de 5 para manter, mais ou menos, de forma homogênea, praticamente a mesma ideia de proporção entre as pgs. (folhas transparentes) e as frases.

3º passo:

depois de já saber quantos grupos de pgs. (folhas transparentes) e de frases eu teria que recombinar, eu comecei a reorganizá-las de forma semi-aleatória, voltando para o texto-tempo, previamente dividido, como vimos acima.

na imagem abaixo, as letras (a, b, c…), na coluna à esquerda da tabela, correspondem ao número de pgs. (folhas transparentes) de cada grupo. escolhi a tabela de 4 frases para demonstrar como fiz para separar e reagrupar. observemos, por exemplo, a letra D da tabela:

a letra D continha as seguintes frases: 159L33 | 198L41 | 250L51| 253L51. quer dizer, então, que, nesta página, havia 4 frases do texto-tempo, a 159, da L33 (linha 33), a 198 (da L41), a 250 (da L51) e a 253 (da L51). se voltarmos ao texto-tempo, dividido acima, vemos que as frases são respectivamente: tu vois ? | accesoire ? | une rose, | aïe

a letra D corresponde, portanto, à 4ª pg. do grupo de 4 frases, do texto-tempo. as frases dessa pg. ficaram impressas assim na folha transparente (notem que as frasem mantêm suas posições de origem):

(a cor de fundo não corresponde à realidade, porque, como trata-se de uma folha transparente, a cor de fundo que aparece aqui é a do scaner)

4º passo:

então, a medida que eu ia recombinando as frases, eu ia marcando em uma outra tabela, que continha todas as frases, quais já haviam sido reagrupadas. assim, as escolhas das frases iam sendo feitas por eliminação.

além do critério eliminatório, eu privilegiei, algumas vezes, a questão sonora, como a pg. que acabamos de vir, onde há um som em eco que se repete pelo “tu vois ?” e “acessoire”. outras vezes, eu me baseava apenas pela posição ao longo da pg., por uma quebra de sentido entre as frases reagrupadas, enfim.

croquis:

a ideia inicial:

talvez eu devesse chamar esse trabalho de ensaio, mas, na medida em que “todo livro é um livro de ensaio”, como disse haroldo de campos, ou como um filme também pode ser um ensaio, como pensava jean-luc godard, achei que não precisava utilizar a palavra nas indicações da instalação, porque, para mim, de acordo com esses protocolos, ela já funcionaria como um ensaio. apenas mencionei “duchamp” e “mallarmé”, no texto que escrevi para a folha de sala (caderno de consulta), porque achava que era bom dar pistas ao expectador. ainda que, se o expactador não trabalhar, e não for atrás de onde essas pistas podem levar, elas podem não levar a lugar nenhum.

mas, antes de entrar em alguns caminhos que esses nomes nos levam, eu gostaria de escrever um pouco mais sobre o trabalho. a primeira coisa que surgiu desse trabalho, há mais de um ano, foi a imagem (e já tropeço no que acabei de dizer, porque vou precisar puxar o nome do duchamp): um texto esparramado em um varal, e um outro texto sobreposto em uma caixa transparente. e digo, então, duchamp, porque essa estrutura partida/dividida em 2 partes, me fazia pensar no seu “grande vidro”, que, como sabemos bem, é uma peça dividida em 2 partes. a imagem inicial surgiu quando eu pensava no “grande vidro”. ainda não havia texto, apenas a imagem, tal como os desenhos dos croquis  revelam, e eu tinha a vaga ideia de que seria um texto a partir do “grande vidro”. ainda não sabia se seria um texto mais crítico ou mesmo poético, eu tinha na cabeça apenas a imagem.

então, a sofi fez o convite para participar da loligo®, e eu pensei em enviar este trabalho, e comecei a trabalhar no texto e na forma (um pouco alucinada, como vocês viram) que ele  deveria se fragmentar em folhas transparentes.


 


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